colunista

Bacelar

Já exerceu 4 mandatos de vereador em Salvador, onde foi também Secretário de Educação; Atualmente é Deputado Federal. Escreve às terças, a cada duas semanas.

A reforma previdenciária que tramita no Congresso Nacional é uma das mais temíveis ameaças para o trabalhador brasileiro dos últimos tempos. Por diversas vezes, o país se uniu para sacudir a poeira e reescrever uma nova história. Enfrentou a submissão do período colonial, perseguição da ditadura, inflações históricas, confisco da poupança e tantas fases sofríveis, agora, como se não bastassem os 14 milhões de desempregados – sem citar os subempregados, dezenas de milhões de brasileiros correm risco de ficar sem aposentadoria, direito constitucional e um dos maiores programas de distribuição de renda que se tem notícia.


A grande mídia cita especialistas pra dizer que o risco disso acontecer é mínimo. Como assim, se muitos vão envelhecer nos postos de trabalho, uma vez que o tempo de contribuição vai aumentar? Quem garante que o trabalhador vai resistir com boa saúde à espera de um direito  que vai demorar (e muito) a chegar?


Os professores, regidos por regimes de previdência diversos e que já colecionam muitas dúvidas com a tramitação da famigerada reforma estão angustiados. Em todo Brasil, estourou o número de docentes em busca da aposentadoria. Muitos deles que já atingiram a idade mínima exigida pela atual forma de concessão, continuavam trabalhando, mas agora, saíram em disparada e lotaram as secretarias de educação com pedidos de aposentadoria. Apenas na Bahia, são 4 mil professores que deram entrada para conseguir o benefício nos últimos 12 meses. Não é difícil imaginar a causa.


E o efeito alguém sabe? Muitas disciplinas ficarão sem professor específico e os concursos não são programados com a velocidade que se imagina para suprir a alta demanda. Para tentar aliviar o impacto e não prejudicar o ensino, o governo da Bahia ofereceu uma bonificação para o professor que decidisse retardar o pedido, através de uma bolsa permanência. Mas, poucos atenderam o chamado, como acontece no país inteiro.   


A ameaça persiste. Os professores que hoje se aposentam aos 25 anos de serviço, teriam que contribuir mais 15 anos para conseguir o benefício integral. E mesmo que haja novo presidente da República, os congressistas que tocam a Reforma já avisaram que o projeto vai sim, ser votado.


Muitos professores se perguntam o que fazer. Dezenas de milhões de brasileiros incrédulos acompanham uma novela onde os maus permanecem imbatíveis. E enquanto isso, termino citando o inesquecível e atualíssimo Bezerra da Silva:


Socorro,

Está pedindo o pobre aposentado

Pra receber o seu trocado

Ele tem que brigar com os homens da Lei

Se é isso que eles chamam de um grande Brasil novo

O que será do meu povo

Meu Deus, na verdade, juro que não sei

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