A avaliação nesta quarta-feira (23), porém, é de que a maior parte das praias está limpa (Foto: Divulgação)

Desde que entrou no Corpo de Bombeiros, há oito anos, a soldado Marizinha Santana teve que lidar com desastres ambientais. Só que, normalmente, os desastres são incêndios em vegetação que precisam ser apagados. Nunca imaginou que, após todos esses anos, teria que participar de uma operação para retirar óleo das praias.

“A gente sofre com os incêndios na vegetação, mas a gente sabe que, no futuro, o verde vai se renovar. Aqui, a gente não sabe o que vai acontecer”, dizia ela, na manhã desta quarta-feira (23), na praia de Imbassaí, em Mata de São João. 

Em seu segundo dia de operação, Marizinha e cerca de outros dez bombeiros dedicavam-se à retirada do óleo na região dos manguezais de Imbassaí. Com a maré baixa, dava para ter noção do estrago: as marcas do petróleo nos troncos dos manguezais chegavam a alcançar aproximadamente um metro de altura. 

O grupo deixou as luvas de PVC para trás: devido à alta sensibilidade dos mangues, usavam luvas de procedimento cirúrgico descartáveis. “A gente está fazendo a raspagem de mão mesmo, de uma forma bem minuciosa, porque a área de mangue fica impregnada. É de difícil acesso”, explicou a soldado, que é lotada no 10º Grupamento de Bombeiros Militares (Camaçari). 

Só em Imbassaí, o Corpo de Bombeiros trabalha há seis dias. Nos primeiros, chegaram a retirar duas toneladas da substância dos manguezais e da praia. No entanto, a operação no Litoral Norte tem atingido números altos: por dia, três toneladas de óleo têm sido retiradas, em média, pelos bombeiros, no espaço entre Lauro de Freitas e a divisa com Sergipe. 

Nesta quarta-feira, que marcou o 13º dia de operação, equipes trabalhavam retirando óleo em pontos como Porto Sauípe, Subaúma, Baixio e Conde. 

De acordo com o comandante geral do Corpo de Bombeiros, o coronel Francisco Telles, as áreas mais afetadas, no litoral baiano, ainda são as praias mais ao Norte do estado - a exemplo de Baixio, Conde, Sítio do Conde e Praia Azul. O óleo ainda tem chegado diariamente às praias, mas em quantidades muito menores do que nos primeiros dias. 

“Nosso entendimento é que são óleos que estavam presos, possivelmente em recifes de corais, em pedras, que estão por baixo. Com o bater do mar, acabam se soltando e são lançados na praia, tanto que, agora, a gente já tem uma percepção diferente. O óleo que chegou anteriormente era muito pegajoso. Agora, estão vindo de uma forma mais granulada”, explicou o comandante. 

Diariamente, os bombeiros têm feito sobrevoos na região para identificar os locais para onde as equipes devem ser distribuídas. Hoje, de acordo com o comandante, a maior parte das praias do Litoral Norte está limpa. 

É o caso, por exemplo, de Guarajuba e Itacimirim, ambas em Camaçari, também na RMS. Em outras, como a Praia do Forte e a própria Imbassaí, em Mata de São João, a avaliação dele é de que estão “muito mais” limpas. 

“Ontem, fizemos uma consulta aos órgãos ambientais sobre a questão do banho de mar e o entendimento é que, nas praias onde não há óleo e não há indicativo em razão de coliformes fecais, não há nenhum problema no banho de mar. Boa parte do nosso Litoral Norte já se encontra em condições para as pessoas tomarem banho”, garantiu. 

Iniciativa local


Em Imbassaí, os barraqueiros chegaram a se unir para instalar telas de proteção na praia, na semana passada. Duas telas foram instaladas no local de encontro do mar com o Rio Barroso, que leva diretamente ao contato com os manguezais. Além das telas, colocaram uma rede de pesca no rio, também com o objetivo de ajudar a conter o óleo. Pela densidade da substância, acreditam que as estratégias ajudaram. 

“Cada um deu R$ 10, R$ 15 para ajudar a comprar. Sou nascido e criado aqui e nunca tinha acontecido nada assim. Todo mundo triste vendo tartaruga, peixe sujo de óleo. Outro dia, vimos até uma sucuri coberta de óleo. Sem contar que o turismo caiu muito”, contou o dono da Barraca do Bacana, Tiago Evangelista, 22. 

O professor de surfe Erick Anunciação, 32, que mora em Imbassaí há 30 anos, diz que já tinha visto pequenos incidentes com óleo na praia. No entanto, sempre apareciam pequenas pelotas, desde o início. Dessa vez, se deparou com placas de até um metro. 

“Estou admirado que estamos vendo órgãos grandes, como os Bombeiros, Inema e Ibama, colando junto mesmo”, comentou. Já o confeiteiro Fábio Santos, 39, ainda estava preocupado. “Tem muitas áreas por aqui que são pouco acessadas, pouco habitadas. É possível que esses locais ainda tenham muito óleo”, disse. 

Entre os turistas, alguns ainda evitavam o mar. A técnica em laboratório Tatiana Bispo, 37, e o gerente comercial Francisco Silva, 38, quase cancelaram a viagem. Tinham programado a viagem antes do óleo chegar à Bahia, para comemorar o aniversário de Francisco. “Mas fomos acompanhando as notícias e decidimos vir, ainda um pouco temerosos. De qualquer forma, não pretendo entrar no mar pelo óleo e por receio mesmo”, afirmou Tatiana. 

Em Baixio, no município de Esplanada, as atenções dos bombeiros, nesta quarta, também foram para os manguezais. “A gente está atuando tanto em areia e pedra quanto na vegetação de mangue, que é retorcida, complicada até para o próprio acesso”, afirmou o major Allan Guanais, subcomandante do 10º GBM (Camaçari). 

Os bombeiros têm trabalhado com processos que vão desde a retirada por raspagem ao incrustamento.  Para os voluntários, a recomendação é de usar sempre equipamentos de proteção individual, a exemplo de luvas descartáveis e calçados (de preferência, botas). 

Comentários

AVISO - Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie através do nosso whatsapp 71 99663.6360 ou do email jornalismo@maisregiao.com.br. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal. TERMOS DE USO

mais notícias » Leia também

Publicidade
Publicidade