Além da condução coercitiva e dos mandados de prisão, também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão na capital e um em Mata de São João (Praia do Forte). Ao todo no país, a PF cumpriu 110 mandados da 26ª fase da Lava Jato e mira a Odebrecht. Os trabalhos são um desdobramento da 23ª fase, a Operação Acarajé. De acordo com a PF, em Salvador, o alvo do mandado de prisão preventiva foi Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, executivo da Odebrecht. Já o de condução coercitiva foi Luiz Roque Silva Alves, cuja relação com a empreiteira não foi especificada. O alvo do mandado de prisão temporária foi Antônio Pessoa de Souza Couto, apontado pela PF como diretor-superintendente da Odebrecht Realizações, no Rio de Janeiro. A Bahia e o Rio Janeiro constavam como endereços para o cumprimento do mandado. A PF ainda não informou em qual dos estados a prisão foi efetivada. Por telefone, o G1 manteve contato com Luiz Roque Silva Alves no início da tarde desta terça-feira. Por questões pessoais, ele disse que não poderia comentar o caso no momento e destacou que irá atender a reportagem em outra oportunidade, que não foi especificado. O G1 ainda não conseguiu contato com o executivo Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e com o diretor Antônio Pessoa de Souza Couto. De acordo com a PF, os oito mandados de busca e apreensão que são cumpridos em Salvador e Mata de São João estão relacionados à Odebrecht e a empresas ligadas a ela. Entre os locais visitados por agentes da PF estão: Aeroporto de Salvador, Praia do Forte (localidade de Mata de São João), além de shoppings Bela Vista e Itaigara. Por meio de nota, a Odebrecht confirma que a Polícia Federal cumpriu hoje mandados de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão em escritórios e residências de integrantes em algumas cidades no Brasil. A empresa disse que tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários. O G1 teve acesso ao mandado de busca e apreensão que foi cumprido contra a JN Maxi Corretora de Câmbio Ltda na manhã desta terça-feira, dentro do Shopping Bela Vista. A empresa alvo dos policiais federais funciona dentro da Gradual Turismo, e realiza operações de câmbio. Segundo uma testemunha, a PF esteve no local e fez buscas no sistema da empresa, mas não levou documentos. A empresa JN Maxi também tem sede no Shopping Itaigara, onde equipes da PF atuaram na manhã desta terça. O G1 não conseguiu localizar responsáveis pela empresa para comentar a operação. Ainda conforme a PF, após o mandado de condução coercitiva ter sido cumprido em Salvador, Luiz Roque Silva Alves foi ouvido na sede da PF e liberado. Ainda de acordo com a Polícia Federal, havia dois endereços para localizar o alvo deste mandado, e um deles era a empresa Odebrecht. Ainda segundo a PF, um mandado de prisão preventiva foi cumprido em Salvador contra Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho. Ele foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em Curitiba. O alvo de um mandado de prisão temporária não foi localizado na manhã desta segunda-feira, diz a PF na Bahia. As ações fazem parte da 26ª fase da Operação Lava Jato, intitulada "Xepa". Além da Bahia, a operação também acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí. Os trabalhos são um desdobramento da 23ª fase, a Operação Acarajé, para apurar um esquema de contabilidade paralela na construtora Odebrecht, destinado ao pagamento de vantagens indevidas a terceiros, vários deles com vínculos diretos ou indiretos com o poder público. A ação foi deflagrada no dia 22 de fevereiro e prendeu o marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana, além de mulher dele Monica Moura. Os dois são suspeitos de receber US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior e estão detidos na Superintendência da PF, em Curitiba. s investigações apontam possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro oriundos da Petrobras que teriam sido cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao grupo. O material indicou a realização de entregas de recursos em espécie a terceiros indicados por altos executivos da Odebrecht nas mais variadas áreas de atuação empresarial. Números da operação Do total de 110 mandados no país, 67 mandados são de busca e apreensão, 28 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento, 11 mandados de prisão temporária e quatro de prisão preventiva. Ainda de acordo com a PF, há indícios concretos de que o grupo se utilizou de operadores financeiros ligados ao mercado paralelo de câmbio para a disponibilização de recursos ilegais. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período ou convertida em preventiva, que é quando o investigado fica preso à disposição da Justiça sem prazo pré-determinado. Os presos serão levados para a Superintendência da PF, em Curitiba. (Foto: Ilustrativa)