Ibahia
É quase uma regra. Parece discurso padrão de qualquer treinador quando o assunto é colocar os garotos da base na partida. Para a grande maioria, a cria da casa precisa entrar aos poucos, em jogos sem grande pressão para não queimar os futuros craques do clube. Bom, não é o que fizeram com o zagueiro Ramon, que roeu muito osso para hoje comer o filé da titularidade.
Se a afirmação de Napoleão Bonaparte, quando assegura que ?a capacidade pouco vale sem oportunidade?, é verdadeira, Ramon é a prova viva disto. O camisa 3 rubro-negro mostrou seu valor no momento mais difícil do Vitória nos últimos anos e não decepcionou.
Em 2015, Ramon fez sua estreia como titular justamente contra o Colo-Colo de Ilhéus. Ele estava em campo na eliminação precoce, ainda nas quartas de final, do Campeonato Baiano do ano passado, ao perder por 2x0 em pleno Barradão. Complicado.
O natural seria o atleta da base ser blindado, sair um pouco de cena. Ramon não fugiu. Depois, estava em campo no empate em 2x2 para o Ceará, o que resultou na eliminação do Nordestão. Ele também foi titular na queda da Copa do Brasil diante do ASA, ao empatar em 2x2 na Toca.
Porém, nada derrubou a vontade de Ramon Menezes. O prata da casa permaneceu se destacando e fez 31 partidas na Série B de 2015, todas na condição de titular. Só não jogou as outras por suspensão. Nenhuma por contusão.
?Não tenho dúvida que o momento mais difícil na minha carreira foi quando subi para o profissional. Era uma fase muito ruim e nada parecia dar certo no Vitória. Sabia que a cobrança seria bem maior que o normal, mas não poderia perder a oportunidade de mostrar meu valor. O bom é que, no fim, deu tudo certo com o acesso?, disse Ramon.
A persistência rendeu frutos. Este ano, Ramon jogou em todos os oito jogos do Vitória na temporada 2016. Ou melhor, todos os 720 minutos do Leão em campo, mais acréscimos. O atleta não foi substituído em nenhuma partida. Mesmo após 51 exibições pelo Vitória e todas as dificuldades pelo caminho superadas, Ramon garante que o nervosismo permanece o mesmo do primeiro jogo como profissional.
?Daqui a 10 anos vou sentir a mesma ansiedade que tive no meu primeiro jogo como profissional. Não será diferente. Claro que é só aquele momento antes da partida começar. Quando a bola rola, a ansiedade fica de lado e tudo que interessa é fazer um bom jogo?, assegurou Ramon.
(Foto:Reprodução)