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Geral Lorena Dias

Aceite suas escolhas

Lorena Dias é jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.

07/06/2017 18h57 Atualizada há 9 anos atrás
Por: Redação Fonte: Lorena Dias
Sexta-feira à noite. Estava em um restaurante comemorando o aniversário de uma amiga. Cardápio na mão, observava as opções de drinks enquanto decidia o que iria beber. Para não arriscar, escolho um que já havia experimentado em outras ocasiões. Péssima decisão. Naquele dia o barman havia errado feio.

Poderia ter pedido para trocar, mas não o fiz. Talvez o drink nem estivesse tão ruim assim, apenas não tinha correspondido às minhas elevadas expectativas. Ou talvez ele realmente estivesse péssimo, mas no fundo eu não me importava, já que a conversa e a companhia dos amigos eram meu foco naquele momento.

Todos os momentos da nossa vida são construídos a partir de escolhas, sejam nossas ou dos outros. Até o ato de não escolher é também um tipo de decisão. Uma das maiores dificuldades no momento da escolha é pensar no que você pode estar perdendo ao optar por uma coisa ao invés de outra. E, de uma forma ou de outra, sempre que fazemos qualquer escolha existem perdas e ganhos.

A questão está sempre no que você está disposto a perder e o que você pretende ganhar com a sua decisão. Mas muita gente se importa tanto com o que vai ganhar, que se frusta ao encarar as perdas que envolvem o processo. E principalmente não aceitam a margem de erro que há todas as vezes em que fazem suas escolhas. A maioria não admite errar.

Porém, seja na escolha de um drink, de um trajeto a seguir para fugir do engarrafamento, na hora de comprar uma casa ou de escolher o parceiro de um relacionamento, nós precisamos aceitar nossas escolhas. E aceitar não quer dizer necessariamente se acomodar na decisão. Mas entender que a escolha foi feita e nem sempre é possível voltar atrás, apenas ir decidindo o que é possível fazer a partir dela.

Quarta-feira de manhã. Saio de casa apressada e, enquanto caminho em direção ao ponto de ônibus, analiso as opções mais rápidas para que eu não me atrase na consulta com a dentista. Resolvo que, para fugir do engarrafamento, talvez seja melhor ir de metrô. No caminho, reflito sobre qual tema eu poderia escolher para escrever o texto que deveria ser publicado na minha coluna ainda naquele dia (estava completamente perdida nesses sentido).

No metrô, observo os carros fluindo com tranquilidade. Não há engarrafamento e talvez tivesse sido melhor ir de ônibus, pondero. Quando percebo que estou arrependida da decisão, lembro do que me aconteceu na última sexta-feira e digo a mim mesma que é importante aceitar as próprias escolhas. Pego mais um ônibus e finalmente chego no consultório. A porta está fechada. Envio uma mensagem para o celular da dentista avisando que cheguei.

Meia hora depois ela responde, informando que estava numa consulta médica e que havia marcado nosso encontro para sexta-feira. Eu havia confundido os dias. Se eu quisesse, ela poderia me encaixar no meio da manhã, mas eu teria que esperar mais um pouco. Sem nenhum arrependimento pelas minhas decisões e confusões matutinas, sento num banco para esperar e começo a anotar alguns pensamentos. De repente, olho para o bloco de notas e percebo que havia acabado de decidir o tema para a coluna de hoje.

Às vezes, uma decisão errada é a melhor que você teria tomado. Não há como saber. É preciso apenas escolher e seguir em frente com nossas escolhas. No mínimo, seu erro poderá render boas histórias, que você poderá compartilhar com quem escolher. A minha, escolhi compartilhar com você.

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