Angústia, medo, incerteza e impotência. Esses são só alguns dos desafios que os professores da rede pública têm de enfrentar diariamente. A violência dentro e fora das salas de aula assombra a comunidade escolar e precisa ser discutida com urgência. Vira e mexe a imprensa noticia casos de agressões contra alunos e professores. O mais recente, que ganhou repercussão nacional, foi o da professora catarinense Márcia Friggi que recebeu, de um aluno de 15 anos, socos no olho por motivos fúteis. O mestre que antigamente era respeitado, admirado e idolatrado por todos, hoje, é desrespeitado, xingado, agredido e precisa implorar por respeito. É, meus amigos, a autoridade do professor foi embora pelo ralo e a relação com os alunos também.
Quantas Márcias existem por aí e nós nem ficamos sabendo? Quantos professores são agredidos verbal e fisicamente todos os dias? Infelizmente, essas perguntas são muito difíceis de responder. O descaso com a educação é tão grande que não temos nenhum estudo ou pesquisa que faça um diagnóstico do problema. É quase impossível acreditar que, em pelo século XXI, ainda não sabemos quantos docentes são alvo de seus próprios alunos!
O pior de tudo é que mesmo sem esses dados compilados, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificou o Brasil como o líder no ranking mundial de violência nas escolas. A pesquisa conversou com mais de 100 mil professores e diretores de escolas de 34 países. Cerca 12,5% dos entrevistados disseram serem vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana; quatro vezes mais do que a média mundial. Isso comprova o que todos nós já estamos cansados de saber: ser professor no Brasil não é fácil. A profissão é desvalorizada, pouco reconhecida pelos governantes e até mesmo pela própria sociedade.
Essa violência nas escolas mostra que a educação no país vai de mal a pior. Não precisa ser nenhum especialista no assunto para saber que o cenário educacional é um verdadeiro faz de contas. Basta olhar ao redor para perceber essa constatação. As escolas estão sucateadas, falta material didático, merenda, laboratórios, bibliotecas e etc. E o mais engraçado é que a melhoria na educação e saúde são os primeiros pontos a serem abordados em campanhas políticas na época das eleições.
Falando nisso, não existem políticas públicas que criam medidas preventivas a estas situações e não existe vontade de fazer com que o aprendizado dê certo no Brasil. O veto do presidente Michel Temer a prioridade no cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação e a falta da aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional são apenas dois, das centenas de exemplos que poderia citar aqui, dessa má vontade.
Espero que o sangue derramado pelo rosto de Márcia mostre aos governantes o quanto a educação pede socorro. É preciso entender que temos que ir a fundo no problema para resolvê-lo. E o primeiro passo é reconhecer que a escola sozinha não é capaz de prevenir a violência.
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