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Pojuca Crime

Da prisão, Policial Militar é acusado de sequestrar empresário de Pojuca

A vítima está sumida há dois meses

13/04/2021 12h59 Atualizada há 4 semanas
Por: Maryane Meira Fonte: Aratu On
Arquivo/Mais Região
Arquivo/Mais Região

Um policial militar da Bahia é suspeito de comandar, de dentro do Batalhão prisional da corporação, o sequestro e extorsão de um conhecido empresário do município de Pojuca. Um documento obtido com exclusividade pela reportagem do Aratu On aponta que o soldado Lenilson Santos Costa foi transferido para o presídio de Serrinha, de segurança máxima, após o Tribunal de Justiça entender, no dia 7 de abril, que ele desempenhou "função de liderança ou participou de forma relevante em organização criminosa". 

A vítima é o empresário do ramo supermercadista Marcos Costa Trinchão. Segundo Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia Territorial de Pojuca, no dia 10 de fevereiro, ele estava na frente de um restaurante no Centro da cidade quando foi surpreendido por homens armados que estavam a bordo de um veículo, modelo Palio.

Em seguida, a família Trinchão começou a receber ameaças via telefone, seguidas de extorsões, que chegavam ao valor de R$ 1 milhão. Não há informações se alguma quantia foi paga aos bandidos, mas, até a publicação desta reportagem, o empresário não tinha sido localizado pelas forças de segurança. 

De acordo com a decisão que autorizou a transferência de Lenilson do Batalhão de Choque - unidade em Lauro de Freitas que abriga os PMs presos -, o recolhimento do soldado em "estabelecimento prisional, que não seja de segurança máxima, poderá implicar risco à sociedade, já que, pelo relatório de inteligência policial, mesmo recolhido em cárcere sob a responsabilidade da Polícia Militar, o indigitado utilizou aparelho de telefonia móvel para servir de instrumento à consumação do crime que vitimou Marcos". O texto foi assinado pelo juiz Sandraque Oliveira Rios. 

O magistrado observou ainda que um dos investigados presos, suspeito de ter participado do crime, Cícero dos Santos, informou ter sido "contratado por Lenilson a fim de operar a execução material do sequestro e extorsão do empresário". A Justiça relatou que, após solicitação, foi encontrado um celular na cela do soldado. O dispositivo que roteou a ligação do sequestrador era vinculado ao e-mail do PM. 

"Afinal, se dentro da unidade prisional, Lenilson ainda possui condições de receber telefone celular e articular práticas criminosas, somente um estabelecimento prisional de segurança máxima poderá cessar a reiteração delitiva", sustentou Sandraque Oliveira Rios. Informações obtidas pelo Aratu On junto à fontes da Secretaria da Segurança Pública confirmaram que o suspeito já foi transferido para o município de Serrinha. 

OUTROS CRIMES 

Lenilson era lotado na 32ª Companhia Independente de Polícia Militar, que tem sede em Pojuca. Em julho de 2020, a SSP apurou que um grupo de sete policiais da unidade estava envolvido em vários crimes, como extorsão mediante sequestro e roubo. Eles foram descobertos após um "deslize" do próprio Lenilson durante uma das ações, ocorrida no município de Igaporã, a 683 km de Salvador. 

Os investigadores descobriram que um imóvel foi invadido por homens fardados que diziam cumprir mandado judicial. Após subtraírem R$ 5 mil, celulares e joias, os criminosos saíram e deixaram cair uma pistola calibre 40, pertencente a Lenilson. No mesmo dia o militar foi preso. 

Diante do caso, as Corregedorias Geral e da PM aprofundaram as investigações e descobriram indícios de participações de outros militares. Informações preliminares apontam que o grupo, em alguns casos, usava fardas rajadas (conhecidas popularmente como Caatinga) e invadia locais usados por traficantes para sequestrar criminosos ou parentes.

No mês de outubro, a perícia realizada na pistola encontrada em Igaporã apontou que Lenilson participou da morte do colega de farda, Victor dos Reis Pereira, no dia 12 de outubro de 2018, durante uma emboscada. As investigações sustentaram que a vítima foi executada com balas de outra arma, mas alguns estojos encontrados na cena do homicídio pertenciam ao soldado preso. A polícia suspeita que os dois tinham uma rixa. 

Por conta dos crimes, que foram levados em consideração para autorização de transferência de presídio, o soldado da 32ª CIPM estava preso e responde a todos os processos.

A reportagem do Aratu On tentou contato com sua defesa, mas sem sucesso. Também foram pedidos esclarecimentos à Polícia Militar da Bahia, que não deu detalhes acerca das apurações. A assessoria da SSP contou que o sequestro de Trinchão está sendo acompanhado pelo Departanento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), com apoio das Corregedorias da PM e Polícia Civil.

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