Quase 70% dos entrevistados têm a mesma opinião: os principais problemas das 13 cidades que compõem a Região Metropolitana deveriam ser resolvidos com ações conjuntas, revela Pesquisa Futura. O resultado é preocupante: três entre quatro entrevistados consideram como péssimo o transporte público oferecido em Salvador. O percentual dispara para 86,7% de péssimo quando o assunto é o trânsito. Ninguém diz ótimo. "Com transporte público de baixa qualidade, há uma tendência de que as pessoas busquem a solução no carro", lembra Felipe Sellin, do Futura. Mais carros nas ruas, mais trânsito e mais tempo preso nos engarrafamentos. A maioria (46,4%) gasta entre uma e duas horas na ida e volta ao trabalho. Entre uma e quatro horas no trânsito, o percentual chega a 73%. "Este é um problema que atinge a todas as classes", explica Sellin, que destaca um detalhe: "Mais da metade dos entrevistados da classe A/B (58,8%) gasta entre uma e duas horas para chegar ao trabalho. É a classe em que maior percentagem de pessoas gasta esse intervalo". A classe C vem logo depois, com 57%. Mas quem perde muito tempo no trânsito são os mais pobres, destaca José Luiz Orrico, presidente do Futura. ?A classe D/E tem maior percentual acima das duas horas. Os que moram na periferia sofrem mais com o trânsito e a ausência de transporte público?, analisa. Segundo os entrevistados, para resolver tantos problemas somente com planejamento integrado das cidades da RMS. Esse é desejo da maioria, em especial na Classe C (73%), entre quem tem 20 a 29 anos (77%) e as mulheres (73,6%). Outros problemas apontados como prioritários nessa administração conjunta: educação, saúde pública, segurança pública e coleta de lixo (confira na tabela ao lado). ?O trânsito de alguma maneira consegue-se dar um jeito. Mas na saúde, educação e segurança, não. Isso apavora as pessoas?, acredita José Luiz.
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