Após 11 dias internado no Hospital Municipal de Serrinha (a 197 km de Salvador), o jovem Francisco Araújo Silva Júnior, de 23 anos, foi transferido na manhã desta quinta-feira, 22, para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), na capital baiana, onde fará tratamento para cuidar da obesidade mórbida que sofre desde criança. O procedimento estava programado para acontecer na quarta, 21, à tarde, mas, de acordo com informações da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), o transporte foi adiado devido às necessidades especiais do deslocamento do paciente para a unidade em Salvador. Para transportar Francisco até a UTI Móvel especial (ambulância), disponibilizada pelo Roberto Santos, foi necessário a ajuda de 12 homens, entre policiais do Corpo de Bombeiros e voluntários. "Estou bem, pois sei que agora terei tratamento. Não aguento mais tanta dor no peito e pernas", desabafou Francisco minutos antes da transferência. Outra que não escondia a expectativa era a mãe do jovem, Maria Aurizete de Araújo. Ela não se conteve ao ver chegar, no hospital, a ambulância que faria o transporte para Salvador. "Sei que lá a unidade é bem mais equipada e espero que ele consiga perder peso. O sofrimento de meu filho é enorme e a minha dor maior é não poder fazer nada para amenizar tudo isto."
O quadro clínico de Francisco é delicado. Ele está respirando com a ajuda de uma máscara de oxigênio, não anda, se alimenta por soro e urina através de uma sonda. O rapaz foi internado após apresentar febre e dores de cabeça, além da falta de ar e convulsões. "Ele tem problemas sérios, já teve mais de seis paradas cardíacas, seguidas de convulsões. Nunca o abandonei sempre estou ao lado dele, que fala com dificuldade acredito que por causa do pulmão", disse Aurizete.
O médico Ricardo Gouveia, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Salvador, informou que o momento mais critico era a saída do paciente do hospital até a ambulância, já que ele poderia ter qualquer tipo de recaída. "Após estar na ambulância, ai estaremos aliviados, pois ela é composta de todos os equipamentos de uma UTI e o paciente vai sendo acompanhado por uma equipe composta de médico e enfermeiros", garantiu. A ação de retirada do paciente do hospital para a ambulância durou cerca de 30 minutos, e, assim que foi acomodado, a ambulância deixou a unidade logo em seguida. No Roberto Santos, o paciente deverá ficar em uma UTI. A princípio, Araújo Silva será avaliado por uma equipe médica especializada em casos de obesidade. Depois de exames e acompanhamento, deverá ser submetido a uma cirurgia de redução de estômago. Em casos de obesidade como a deste paciente, o procedimento não é feito com rapidez devido à complexidade do caso.
Excesso de peso - Francisco Júnior começou a ganhar peso aos nove anos de idade. Depois, aos 12 anos já sentia dificuldade para andar. Aos 15, já estava praticamente inválido, mas a situação piorou quando ele fraturou a perna direita em três lugares e teve que ser submetido a uma cirurgia e não mais andou. "Ele passou cinco anos fazendo tratamento em um hospital de Salvador, ai conseguiu ficar sentado, mas andar nunca mais. Ele usa cadeira de rodas, mas é muito difícil sair com ele porque onde eu moro a rua não é asfaltada, então eu não tenho como sair", revelou. O motivo da obesidade de Francisco é desconhecido até o momento. Sua mãe disse que na família não há casos da doença. Além de Francisco, Maria Aurizete, tem mais seis filhos, uma deles, de 16 anos, tem síndrome de down. Sem condições financeiras nunca pôde manter uma alimentação a base de produtos integrais. "Meu filho não tem pai. Eu me esforço para comprar os remédios, mas a dieta não posso manter", lamenta Aurizete que sobrevive de um salário mínimo que recebe como benefício da filha. "Minha irmã faz roupas e vendo, mas nem sempre dá para sair por causa deles." Durante dez anos, o jovem recebeu acompanhamento da APAE do município de Ichu (a 28 km de Serrinha), mas, por conta das condições financeiras da família, ele não pode mais ser levado para o atendimento. "Não estou com medo, pois deus está no comando. Tenho certeza que lá será melhor para meu filho. Só não quero perdê-lo", frisou Aurizete.
Reprodução: A Tarde / Foto: Lucio Tavorá (Ag. A Tarde)