Esporte Atleta
Conheça o jovem baiano que disputará o pan-americano de Karatê e sonha com medalha
Christian Gabriel quer uma vaga no mundial e família faz vaquinha para custear viagem ao México
05/08/2022 08h28 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Fonte: correio 24 horas
Reprodução

“Acordar às 4h30 da manhã, fazer o treino físico das 5h às 6h e estar na escola às 7h10 para a aula, que vai até 12h40”. A rotina descrita por Patrícia Soares, mãe do jovem Christian Gabriel, de 15 anos, se repete três vezes por semana e é difícil ler e não se sentir cansado só de imaginar o ritual. Mas acontece que Christian, diferente dos outros colegas do colégio onde estuda, no bairro de Nazaré, equilibra ao lado dos estudos uma paixão que o acompanha desde os 4 anos de idade e que, cada vez mais, se torna uma realidade empolgante e vitoriosa.

Christian Gabriel foi o único atleta a representar a Bahia no último Campeonato Sul-Americano de karatê, que aconteceu em Guayaquil, no Equador, no mês de abril. Pouco mais de três meses depois do terceiro lugar na competição continental, o garoto vai brigar por algo ainda maior: um título no Pan-Americano e, por tabela, a tão sonhada vaga no Mundial.

Para isso, ele e sua família têm feito de tudo desde então para arrecadar a maior quantia de dinheiro possível para que Christian possa realizar o sonho, que começa no dia 21 de agosto, na Cidade do México.

“Eu estou muito feliz. É tudo muito novo pra mim, principalmente por conta da minha idade. Comecei com 4 anos e não imaginava que iria estar onde estou, podendo representar meu país. Agradeço muito a meus pais, porque acho que não estaria aqui sem eles, e agora é continuar treinando para chegar lá no Pan-Americano. Quero trazer essa medalha para cá, por isso é treinar, treinar e treinar”, descreve Christian.

Para chegar lá, Christian Gabriel está sendo ajudado por uma vaquinha online, onde é possível fazer uma doação para ajudar o jovem na viagem. A meta é de R$ 3 mil, mas menos de R$ 200 foram arrecadados.

E não é a primeira vez que isso acontece. Tanto para a seletiva do Sul-Americano, quanto para a viagem a Guayaquil, Patrícia organizou rifas e contou com a ajuda de familiares para custear as viagens: “Desde sempre nós corremos e fazemos de tudo para juntar. Dessa vez a vaquinha não tem dado certo, mas temos fé que até lá, vamos juntar tudo”.

Desde 2019 Christian começou a levar o karatê ainda mais a sério e, com a pandemia, precisou sustentar mais de um ano de treinamentos dentro do seu apartamento, até que pôde voltar à Associação Ki Karate Do, onde treina, no bairro do Engenho Velho de Brotas, ao lado do seu mestre e treinador, Fabrice Chiron.

Antes disso, o caminho que o levou a encarar o esporte de outra forma foi traçado ao longo dos anos e, segundo ele mesmo, aconteceu de forma muito natural. "Eu comecei a perceber que eu realmente poderia ter essa carreira [no karatê] quando comecei a competir e ver que estava dando resultado. Eu treinava bastante para os campeonatos estaduais, até que cheguei nas competições nacionais e consegui uma medalha”, explica.

Sobre a dura rotina, citada na abertura do texto, ele é bem sincero ao comentar. “Não vou mentir, está sendo bastante complicado e puxado, mas estou sempre indo para os treinos físicos, aula e de noite tenho o treino do karatê mesmo”.

 

Atualmente o único incentivo financeiro que Christian Gabriel recebe é a Bolsa Talento da Sudesb, de pouco mais de R$ 300. Segundo a mãe, não cobre nem um terço dos custos mensais com aulas, academia e deslocamento do jovem. “No Brasil, hoje, de forma geral, acho que conseguem dar um apoio nesta área do karatê. Mas falando aqui da parte da Bahia eu não vejo tanto apoio ao esporte, não só da minha modalidade. Muitos atletas têm capacidade de chegar muito longe, mas às vezes ficam pelo caminho e acabam disputando as competições regionais e estaduais”, afirma.