Mata de São João Mata de São João
Mãe culpa unidades de saúde de Praia do Forte e Monte Gordo por morte do filho de um ano
Miquéias Silva Santos de 1 ano e 10 meses faleceu na sexta-feira (19).
22/08/2022 14h58 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Fonte: Mais Região
Reprodução

“Quando saímos da UPA de Monte Gordo meu filho já estava nas últimas, com as mãos e os pezinhos gelados e os lábios roxos”, relata Vanusa Oliveira Santos, sobre os últimos minutos de vida de Miquéias Silva Santos de 1 ano e 10 meses. O pequeno Miquéias faleceu na sexta-feira (19) e a família acusa a UPA de Monte Gordo de negligência e Pronto Atendimento de Praia do Forte, onde foi atendido na terça-feira (16) e quinta-feira (18), de irresponsabilidade médica.

Em contato com o portal Mais Região, Vanusa contou que Miquéias estava com febre e garganta inflamada na terça, foi levado para o Pronto Atendimento de Praia do Forte e foi medicado. Como ele apresentou outros sintomas como falta de apetite e moleza ela retornou no PA do litoral de Mata de São João na quinta.

“Ele comia tudo, frutas, comida e também mamava. Na quarta-feira de madrugada, ele já não estava querendo comer nada e nem mamar. Na quinta-feira pela manhã dei o medicamento novamente, mas ele não se alimentava. À tarde, por volta das 12h eu retornei a PA de Praia do Forte, levei a receita que o médico passou na terça. Na terça-feira (16) o médico tinha receitado azitromicina, kóide D e ibuprofeno. Na quinta-feira, a médica disse que o único remédio que ele poderia passar era benzetacil.

Quando soube da medicação, Vanusa alertou a médica que o filho portador de hidronefrose no rim direito, “Eu perguntei se ele não poderia passar amoxicilina para eu ficar dando a ele. Ainda disse que ele tinha hidronefrose no rim direito e que ele não poderia tomar o benzetacil pois poderia afetar o rim. No posto não tinha benzetacil, mas, ela disse que para meu filho melhorar eu teria que comprar o medicamento na farmácia e levar para ela aplicar. Ela sendo médica, eu confiei. No posto, aplicou a benzetacil e passou um soro com vitamina, pois ele estava ainda mole. Depois, umas 17h fomos pra casa”, relata.

Na sexta-feira (19), após o filho se queixar de dor, Vanusa levou Miquéias a Unidade de Pronto Atendimento de Monte Gordo, em Camaçari. “Cheguei na UPA, falei o que ele tinha, levei as receitas, falei da benzetacil e tudo. No atendimento, passaram medicamento, exame de sangue e deram luftal. Ficamos aguardando levar ele para outra unidade médica. Passamos muito tempo lá aguardando o SAMU, uma ambulância para levar meu filho para um hospital. Meu filho estava nas últimas, mãos geladas, pezinhos gelados, lábios roxos... depois de tanto tempo colocaram na ambulância sem suporte nenhum, meu filho faleceu praticamente na ambulância no colo da tia”, conta emocionada.

Hidronefrose no rim

Miquéias foi diagnosticado com hidronefrose no rim direito quando nasceu e estava sendo acompanhado por especialista do Hospital Irmã Dulce, em Salvador. Segundo Vanusa, ele iria passar por outra avaliação quando completasse 2 anos de idade para saber se precisaria passar por uma cirurgia ou não.

Sepultamento

O sepultamento do pequeno Miquéias ocorreu neste domingo (21), no Cemitério de Imbassai. Vanusa, o marido e um filho de 11 anos do casal moram em Barro Branco, litoral matense.

Boletim de Ocorrência

De acordo com Vanusa, seu esposo registrou um boletim de ocorrência na 18ª Delegacia Territorial de Camaçari acusando a UPA de Monte Gordo de negligência e o PA de Praia do Forte de irresponsabilidade médica.

O que diz a prefeitura de Mata de São João

A prefeitura de Mata de São João informou que não foi notificada sobre o óbito, pois ocorreu em outro município.