Resultados inesperados têm tido espaço considerável na tabela da Copa do Mundo do Qatar. Diante dos favoritismos baseados em estatísticas, aparecem as zebras, sem tomar conhecimento do histórico recente. Quem diria que a Argentina, com 36 jogos de invencibilidade e recém-campeã da Copa América, seria derrotada na estreia para a Arábia Saudita? Parecia uma exceção, mas as zebras continuaram mostrando sua presença no mundial.
A Austrália sabe bem o que é isso. Chegou um tanto desacreditada no Grupo D com Dinamarca e França favoritíssimas para as oitavas de final, e precisava vencer os vermelhos na última rodada. A equipe da Oceania surpreendeu, fazendo o que poucos esperavam, e se classificou para a próxima fase.
Mas hoje é, de fato, o dia mais propício para as zebras chegarem em manada na Copa, ao menos na primeira fase. A tabela fala por si. No Grupo F, Croácia e Marrocos lideram com quatro pontos cada. A Bélgica é a terceira do grupo com três e só fica na frente do Canadá, já desclassificado.
A Croácia enfrenta a Bélgica, às 12h (da Bahia), no estádio Ahmad Bin Ali, na disputa por uma vaga, enquanto o Marrocos pega o Canadá, no mesmo horário, no Al Thumama, com muita chance de seguir para as oitavas de final. Com um empate, a seleção africana garante a classificação.
Os belgas ainda não convenceram no mundial. Equipe que vinha em uma crescente ao longo da última década, dando muito trabalho para seleções de tradição – é só lembrar da eliminação do Brasil em 2018. Entretanto, na competição do Qatar, a equipe venceu apenas o frágil Canadá com um discreto 1 a 0.
Além disso, existem indícios fortes de que a seleção vem enfrentando uma crise dentro do elenco, com conflitos entre os jogadores e declarações críticas públicas. O meia De Bruyne chegou a falar que a equipe estava envelhecida, o que foi visto como uma indireta aos seus companheiros de defesa.
O zagueiro Jan Vertonghen, de 35 anos, respondeu a indireta do craque belga, após a derrota para Marrocos, dizendo: “também estamos muito velhos no ataque”.
Fake News?
No futebol, quando a roupa suja não é lavada dentro de casa, geralmente é um péssimo sinal. O técnico da Bélgica, Roberto Martínez, em entrevista coletiva ontem, enquadrou essas especulações como “fake news”.
“Há muitos veículos de imprensa na Bélgica e em outros lugares que gostam de publicar fake news, e isso é espantoso. Eu não sei qual foi a motivação do L’Équipe [jornal francês] em publicar a matéria. Para falar a verdade, eu tenho muita coisa para me preocupar, como os treinos, para ficar pensando na motivação dessa história. Só sei que quem fez isso marcou um golaço contra a Bélgica”, disse o treinador, atribuindo a propagação da suposta mentira a uma tentativa de desestabilização da equipe belga.
Uma surpresa que pode acontecer no jogo de hoje é a escalação de Romelu Lukaku, atacante experiente, decisivo e que sabe explorar bem tanto as jogadas aéreas como os chutes de média e longa distância. Ele não começou jogando nas primeiras partidas por conta de lesão. Com o trio De Bruyne, Hazard e Lukaku, a Bélgica amplia consideravelmente seu poder de fogo.
Já a Croácia vem de um empate com Marrocos e uma larga vitória por 4 a 1 contra o Canadá. A situação é relativamente confortável, já que o empate com a Bélgica garante a classificação. A equipe não deve ter grandes mudanças e o técnico Zlatko Dalic já ressaltou, em entrevista coletiva, que vai manter o estilo de jogo. “Jogaremos como jogamos contra o Canadá, alta qualidade e intensidade. Será um jogo difícil”, afirmou.
Gigantes sob risco
A zebra também está orbitando os jogos do Grupo E. Na última colocação, a Alemanha vai fazer hoje o seu jogo da vida contra a Costa Rica, às 16h, no estádio Al Bayt. Para os tetra campeões, só interessa o triunfo para fugir para bem longe da zebra. Com apenas um ponto, necessita, além de vencer, torcer para uma derrota do Japão contra a Espanha.
Em caso de empate, a Alemanha vai precisar ganhar por dois gols de diferença. Se a zebra prevalecer e o Japão vencer a Espanha, no mesmo horário, no estádio Khalifa, a situação fica ainda mais complicada. A Alemanha terá que reverter uma diferença de oito gols no saldo. Caso Costa Rica e Japão vençam as partidas, garantem a vaga e eliminam, de uma vez, Alemanha e Espanha da Copa do Mundo. É uma possibilidade remota, mas não impossível.
No Grupo E, a situação da Espanha é a mais sólida e confortável, com ótimas apresentações, melhor saldo de gols da Copa do Mundo e quatro pontos conquistados. Deve garantir a vaga nas oitavas, mas vai precisar ficar atenta, pois as zebras estão à solta.