Geral Bahia
Em nomeação do novo titular da SSP, Jerônimo culpa governo federal pela violência
Marcelo Werner afirma que vai priorizar o combate ao crime organizado
30/12/2022 08h14
Por: Fonte: Correio 24h
Divulgação

Ao anunciar, na tarde desta quinta-feira (29), Marcelo Werner para assumir a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) a partir de janeiro de 2023, o governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT) seguiu a  tendência dos antecessores petistas. O novo titular da SSP é o terceiro delegado federal a comandar a pasta. Antes dele, estiveram à frente da secretaria Maurício Barbosa, nomeado por Rui Costa; Paulo Bezerra e Cesár Nunes, ex-superintendente da PF, escolhidos por Jaques Wagner. Atualmente, o titular da SSP é o juiz federal aposentado Ricardo Mandarino que substituiu Barbosa.

Durante a nomeação de Marcelo Werner para uma das pastas mais sensíveis das gestões petistas, principalmente por conta dos altos índices de violência na Bahia, Jerônimo disse que o atual governo federal foi que “estimulou um grau de violência muito forte” no país, embora seja atribuição dos estados conter a criminalidade. Ele também afirmou que espera continuidade na qualidade do efetivo de homens e mulheres da polícia baiana na capital e interior e defendeu políticas de desarmamento aliadas aos direitos humanos. 

A Bahia aparece em 23º na área de segurança entre os 26 estados e o Distrito Federal, na edição mais recente do Ranking de Competitividade dos Estados.  Aqui também está a maior taxa de mortes violentas do país, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Das 30 cidades com mais mortes violentas no Brasil, cinco são baianas. Todas na região sul, representando 16,7% das localidades com mais mortes violentas do país entre 2019 e 2021. Em Salvador e (RMS) mais de três pessoas são mortas a tiros a cada 24 horas. Em 100 dias, 86% das chacinas na RMS foram em operações policiais, diz relatório do Instituto Fogo Cruzado.

Crime organizado 


O novo titular SSP afirma que tem como prioridade diminuir as taxas de violência, trabalhar no combate das organizações criminosas e fazer uso de mais recursos tecnológicos da inteligência militar.

“[Vamos] fazer mapeamento das organizações criminosas e trabalhar para identificar e desarticular elas”, planeja. Dentro do plano há o desmantelamento da lavagem de dinheiro e descapitalização das gangues.

A nomeação de Marcelo Werner era uma das mais esperadas do novo governo. Ao assumir o cargo, ele tem a missão de contornar as críticas de ineficiência feitas ao governo petista na  segurança pública ao longo dos anos. 

Soteropolitano e graduado em direito, o futuro secretário é delegado da Polícia Federal (PF) e já foi chefe do Setor de Inteligência Policial (SIP) da PF, chefe substituto da Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Superintendência Regional da PF na Bahia e chefe substituto da Delegacia de Polícia de Imigração (Delemig). Desde maio deste ano, é delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da Superintendência da PF na Bahia. 

A estratégia de Werner para combate das facções e, assim, controlara violência no estado inclui também o trabalho de contato com outras secretarias e o fortalecimento do corpo policial. Para isso, em decisão da SSP com o governo estadual, Jerônimo anunciou que o coronel Coutinho permanecerá à frente da Polícia Militar e a delegada Heloísa Brito permanece no comando da Polícia Civil.

“Temos que trabalhar contra o crime organizado com foco na diminuição dos índices de violência, nos direitos humanos e na inteligência”, ressaltou Werner. 

Apesar de  citar a necessidade de tecnologia nas investigações, Werner não fez declarações sobre o uso de câmeras na farda  dos policiais militares, o que é apontado por especialistas como uma forma de coibir a violência policial nas abordagens. A SSP informou que as câmeras ainda não foram compradas e está analisando os preços. Não há previsão de quando o projeto sairá da fase inicial.

Outros secretários

 
Junto ao anúncio do novo titular, o governador eleito divulgou o nome de mais três secretários: André Joazeiro, em Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti); Edelvino Góes, na Administração do Estado (Saeb); e Cláudio Peixoto, no Planejamento (Seplan). Dos anunciados, apenas o novo titular da SSP estava presente. Os nomes eram os únicos pendentes do secretariado que irá compor o governo a partir de 1º de janeiro. Ao todo, são 25 pastas.