O futebol é duro. Quem dirige clubes é obrigado a fazer malabarismo para conseguir seus objetivos. E, sobretudo, quando a fase financeira e esportiva não é boa, é preciso criatividade para poder se articular no mercado de transferências, estando em uma situação inferior aos seus concorrentes.
Tudo isso são argumentos que precisam ser levados em conta para abordar o vai e vem do Vitória, mas fato é que a reformulação prometida por Fábio Mota e Ítalo Rodrigues, até aqui, ainda não mostrou, de fato, a sua cara.
Em entrevista no dia 10 de março, o presidente do clube disse que o processo já estava em vigor. Citou, dentro desse contexto, a troca no comando técnico, fisioterapia e o comunicado a diversos atletas da não inclusão dos mesmos no planejamento esportivo do Rubro-Negro. Na apresentação do novo gestor de futebol, quatro dias depois, foi dito que, a depender da disponibilidade do mercado, até dez jogadores poderiam chegar e a mesma quantidade poderia sair. A realidade mostra que, no elenco, as peças seguem praticamente as mesmas.
Nenhum novo reforço foi contratado, uma vez que Thiago Rodrigues estava acertado com o clube antes da chegada de Ítalo. Alisson Santos também foi emprestado ao Náutico quando o diretor ainda não estava na Toca do Leão.
Com problemas financeiros, o Leão tende a buscar contratações modestas, já que não consegue oferecer altos salários. Antes de dinheiro, no entanto, a imagem da equipe nesse primeiro trimestre também pode causar uma má impressão em jogadores que estejam buscando fortes projetos de futebol.
A tripla eliminação, somada a troca de treinador e a baixa competitividade apresentada nas competições de certo não são motivos que empolgam possíveis alvos. A grandeza do clube, sua história e a estrutura do CT, sem dúvidas, são trunfos para convencer atletas.
Missão árdua
No panorama atual, para alguém chegar, é preciso que outros saiam. O desempenho esportivo dos atletas que não estão nos planos podem pesar na busca por interessados.
Segundo o radialista Wilson Matos, o lateral Guilherme Lazaroni não irá estender seu vínculo com o Vitória, que se encerra em abril. O mesmo deve se aplicar para Vicente, que vive mesma situação no clube. O custo para rescindir contratos é um grande empecilho para que o Vitória consiga se desfazer de jogadores que estão na lista de dispensa. Se equipes não forem atrás desses jogadores, a saída deles deve encontrar fortes obstáculos.
Apesar do time só voltar a campo dia 15 de abril, na estreia da Série B, o prazo de inscrições para reforços termina no dia quatro do próximo mês. Restando pouco menos de duas semanas para o fechamento da janela, nomes que interessam ao Vitória são especulados, mas sem avanço concreto até o momento.
Jan Pieter, zagueiro do Itabuna, fechou com o Tombense-MG, apesar de interessar à diretoria. Os zagueiros Didi e Rafael Vaz, do Água Santa e São Bernardo, respectivamente, foram oferecidos e ainda estão sendo avaliados pela comissão técnica, como já falou o executivo do Rubro-Negro, Ítalo Rodrigues.
O primeiro é titular da sua equipe e disputou ontem a semifinal do Campeonato Paulista, contra o RB Bragantino. O defensor possui passagem pelo Bahia, no ano passado. No Paulistão desta temporada, tem uma média de quase três cortes por jogo, além de um desarme por duelo e metade dos jogos sem sofrer gol.
O jogador de 31 anos acumula passagens por clubes do futebol paulista e chegou a jogar na Turquia, pelo Adanaspor. Vaz, também zagueiro, alcançou as quartas de final com o São Bernardo, que terminou eliminado pelo Palmeiras.
O beque atuou em 12 partidas pelo time do interior, marcou um gol e também registrou média de quase três cortes por jogo. Experiente, aos 34 anos, Rafael Vaz soma passagens por clubes como Flamengo, Vasco, Ceará, Goiás e Avaí na carreira e tem a bola parada como um dos seus fortes.
Giovanni Augusto, meia do Guarani, interessa, mas o clube encontra dificuldades na negociação, já que os paulistas não querem o liberar e tentam renovar seu contrato, que se encerra no final de abril. O meia disputou 8 embates com a camisa do Bugre no Paulistão deste ano e marcou um tento. Além disso, registrou uma assistência e uma grande oportunidade de gol criada.
Aos 33 anos, carrega em sua bagagem passagens por Corinthians, Atlético-MG, Vasco, Goiás, Coritiba e Mazatlán, do México. Em 2022, protagonizou uma cena inusitada: teve uma discussão acalorada com Rodrigo Andrade, então companheiro de time no Guarani, no intervalo de uma partida.
Em entrevista no campo, Giovanni Augusto disse que Rodrigo, possível colega de vestiário do Vitória no futuro, era mimado. “Uma geração mimada. Não pode ser cobrado. A gente não pode falar nada que os caras se sentem ofendidos. Acha que a gente está falando por mal”, afirmou o atleta logo após o incidente.
Enquanto os bastidores do Leão fervem, o time vai enfrentar o Campinense, na quarta-feira, pela Copa do Nordeste. Sem chances de classificação no regional, irá a campo com time alternativo e será comandado por Laelson Lopes, treinador do sub-20.