Um deficiente físico que reside há 30 anos em Dias d’Ávila vivenciou mais uma situação constrangedora ao tentar embarcar num ônibus da empresa Brisa, na Estação do Retiro, em Salvador, com destino a Dias d’Ávila, na tarde desta terça-feira (21). De acordo com relatos de Rodrigo Silva, mais conhecido como Germano, 38 anos, que sofre de osteogênese imperfeita, a situação foi ‘humilhante’ e é recorrente.
Segundo Germano, ele tentou embarcar no ônibus da Brisa, que é administrada pela empresa Univalle, através da plataforma de acessibilidade, mas o motorista se negou a autorizar o embarque pela rampa elevatória, afirmando que se tratava de ordens superiores. “Quero relatar uma situação muito grave que ocorreu ontem comigo na Estação do Retiro em um roteiro que parte da Estação do Retiro até Dias d’Ávila. Ontem, quando eu fui ter acesso a plataforma elevatória para deficiente físicos e cadeirante, o motorista, com argumento que o superior dele tinha dito que não era para baixar a rampa para deficiente, não deixou de maneira nenhuma eu acessar o carro pela plataforma, dizendo que eu iria subir pela frente com ajuda de populares para ter direito a acessar o ônibus”, conta.
Após persistência, críticas de passageiros a conduta do motorista, e por fim, acionar a Polícia Militar, o condutor do ônibus resolveu liberar o acesso a rampa. “Eu tive que chamar a Polícia Militar para dar um apoio, e simplesmente quando ele viu que eu tinha ligado para PM, ele [o motorista] acionou a rampa para que eu pudesse ter acesso o ônibus. Mas até isso acontecer eu fui humilhado, ludibriado, exposto ao ridículo numa situação que poderia ser evitada”, explica Germano.
Conforme, Germano, essa é a segunda vez que ele passa por esse constrangimento e outros colegas usuários do transporte enfrentam também a mesma dificuldade. “Há 30 anos que sou morador de Dias d’Ávila, nunca me sentir tão humilhado, porque estava sentado no primeiro degrau do ônibus impedindo que o veículo saísse e me deixasse em Salvador. Temos que tomar uma providência urgente, pois isso aconteceu comigo e está acontecendo com meus colegas que são deficientes físicos. Isso é humilhante”, finaliza.
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, essas práticas discriminatórias que impedem ou atrapalham a mobilidade dessa parcela da população podem resultar em até três anos de prisão, além de multa.
A reportagem do Mais Região tentou contato com a empresa, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.