Geral Saúde
Bahia registra 118 casos de VSR em menos de 15 dias
Vítimas mais comuns são crianças menores de quatro anos e os sintomas são semelhantes ao da gripe.
26/04/2023 08h40
Por: Keila Abreu Fonte: IBahia
Reprodução

Em menos de 15 dias, a Bahia registrou 118 casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença é típica das estações outono e inverno. Mas, o crescimento acentuado de registros em um curto espaço de tempo acendeu o alerta dos especialistas. As vítimas mais comuns são crianças menores de quatro anos e os sintomas são semelhantes ao da gripe. Neste ano, duas mortes já foram registradas. Uma em Salvador e outra em Barra do Choça. O primeiro caso foi de um bebê e o segundo de um idoso.

Segundo informações do jornal Correio, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) relatou que, entre janeiro e 17 de abril de 2023, 149 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram registrados decorrentes do Vírus Sincicial. Destes, 118 deles foram registrados apenas no período entre 1º e 13 de abril. A maioria dos pacientes tem menos de 1 ano (52,35%) ou de 1 e 4 anos (38,26%).

A coordenadora da Neonatologia da Maternidade José Maria de Magalhães Neto, Tereza Paim, ex-secretária de Saúde da Bahia, explicou que o período mais intenso das infecções acontece entre fevereiro e junho, por conta das mudanças climáticas que facilitam a propagação do vírus.

“Não há motivo para pânico, porque esse é um vírus que já existe. A prevenção existe desde 1998, mas é importante enfatizar os cuidados. Esse é um vírus que atinge as crianças menores de 4 anos, e principalmente as menores de 1 ano. É uma bronquiolite em que a criança fica com uma situação de desconforto respiratório, e se não tiver atenção e atendimento, esse vírus pode matar”, explicou.

Tereza Paim explicou ainda que a maioria dos casos tem sido registrada em Salvador por conta da densidade populacional e que o sistema de saúde tem percebido aumento na demanda, mas que o impacto ainda não foi mensurado. Em média, um bebê com VSR fica internado de 5 a 10 dias. “É um pouco cedo para termos um resultado, mas ainda não há um impacto em relação à ocupação dos leitos neonatais”, afirmou.

A Sesab informou que já divulgou um alerta e três notas técnicas orientando os municípios para a prevenção e o controle das síndromes respiratórias.

Notificação

Ainda segundo o Correio, em todo o ano passado, foram registrados 696 casos de VSR, com 14 óbitos. Foi a maior quantidade de registros desde o início da série histórica, em 2014. Cabe salientar que a ex-secretária de Saúde da Bahia explicou a não regularidade da notificação de VSR antes da pandemia. Em 2019, por exemplo, foram registrados apenas 72 casos em toda a Bahia.

Em 2023, o crescimento foi percebido em 15 estados brasileiros. O pediatra infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, acredita que a pandemia teve efeito direto sobre os números de VSR.

“Tivemos em 2020, 2021 e parte de 2022 um grande distanciamento social, nós tivemos as crianças fora da escola, o ensino híbrido, o uso de máscaras, e tivemos um acúmulo nesse sentido. Boa parte dessas crianças se expuseram depois desse período, e vimos temporadas fora do padrão”, explicou.

Entre novembro e dezembro de 2022, o Ministério da Saúde registrou aumento de 22% no número de casos de VSR em todo o país, na comparação com setembro e outubro.

O Vírus Sincicial Respiratório fica alojado nos pulmões e os primeiros sintomas são os comuns a uma gripe. A fundadora e diretora executiva da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade), Denise Leão, destacou a importância de alertar as famílias.

“Quanto mais a gente falar sobre o assunto e houver informações com clareza, melhor. Durante a pandemia vimos o quanto notícias falsas impactaram na saúde, é preciso que os pais compreendam as formas de prevenção e os cuidados necessários”, disse.

Os especialistas orientam que os pais fiquem atentos se a criança apresenta chiado ou roncos ao respirar, porque são sinais de que o quadro gripal está agravando, e se não houver melhora dos sintomas gripais em 48 horas é preciso procurar um médico.

Medicação

Na Bahia, bebês com até 32 semanas têm direito a uma medicação chamada Palivizumabe que protege a criança contra os efeitos mais graves do VSR. Ela está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é aplicada na própria maternidade e no período sazonal da doença, ou seja, entre fevereiro e junho.

Crianças com idade inferior a 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou doença cardíaca congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada também têm direito a medicação. O tratamento para o paciente infectado é o reforço na hidratação. Alguns bebês têm dificuldade para fazer a alimentação e precisam de sonda, há situações em que é necessário nebulização e lavagem nasal, e uso de corticoide e antibióticos.

A ‘Prevenção ao VSR - Muito além de um detalhe’ foi uma roda de conversa promovida pela AstraZeneca. Antes de Salvador, o evento aconteceu em São Paulo (SP), e as próximas edições serão em Brasília (DF) e Porto Alegre (RS).

Confira medidas de prevenção e controle para doenças respiratórias: