Negra, branca, loira, indígena, asiática são mulheres de etnias diferentes, mas que têm todo o direito de usar o cabelo com toda liberdade que merecem. Em contrapartida a legítima a expressão ou marca identitária, uma jovem negra de ‘cabelo liso’ foi censurada, e alvo de injúria racial praticada por uma gerente de uma loja de moda fitness, em Praia do Forte, litoral de Mata de São João.
Em áudio gravado dentro do estabelecimento comercial, em setembro, que circula nas redes sociais, a gerente, uma mulher branca, se refere a jovem como mulher negra feia por escolher alisar o cabelo e não o usar de forma 'natural'. “Eu não acho feia. Por exemplo, é o cabelo da menina que não acho legal, o que eu acho bonito é diferente, mas respeito! Mas, para mim se torna feia. Ela é negra, ela é negra mesmo, cor de ‘disco’, se ela alisa o cabelo fica muito artificial, porque ela é negra 'tifunzinha'. Se ela colocasse o cabelo cacheado, natural, iria ficar bonita. Porque forçar muito, porque eu nunca vi negro ter cabelo liso”, ataca.
No áudio, a gerente que não aceita o cabelo da jovem, ainda completa: “Se ela assume a cor dela, o cabelo ficaria mais bonito. Ela ficaria linda, porque ela não é feia. Isso que eu quero dizer. Tem quer dar um jeito nela, se eu pudesse ser personal dela eu diria: Menina, cabelo de ‘Bombril’, ô não pode falar isso! Menina, cabelo, deixa eu falar uma coisa: Esse cabelo seu tem como colocar um cremezinho”, completa.
A vítima, identificada pelo prenome de Vanessa, se encontra abalada emocionalmente e não se sentiu confortável em falar com a reportagem do Mais Região, mas nas redes sociais agradeceu a todos pelo apoio e mensagens de carinho e que em breve continuará postando o que sempre divulga em seu instagram.
Segundo informações, foi registrado um boletim de ocorrência contra injúria racial da Delegacia de Proteção Ambiental de Praia do Forte.
Para o advogado Carlos Aragão, se trata de um crime injuria racial, fere o decorro e dignidade de uma pessoa. “A injúria racial vem com a raça de forma individual e o racismo ele é definido pela coletividade, grupo de pessoa”, define.
Piadas preconceituosas sobre o cabelo afro podem ser caracterizadas também como racismo estético. “Pode ser caracterizada pela doutrina Brasileira, como diz no livro de João Paulo Xavier, que se trata de racismo estético abrange os traços físicos e expressões relacionadas a ofensa nariz, boca, estrutura ósseas, cabelo, arte e outras manifestações. É um tipo de discriminação de racismo estético”, conclui.
Como diria a composição do Bom Gosto e Dela Cruz, “O cabelo é dela e ninguém se mete”. Acreditamos e lutamos por mais mulheres negras que aceitem suas versões originais e as que estão ganhando confiança para aderir outras, seja liso, black power, cacheados, longos, coloridos, carecas, soft dread e box braids.
É claro que podemos e devemos usar os nossos cabelos da forma que nos sentimos mais confortáveis, esse aspecto não anula a ancestralidade, a história e cultura de um povo.