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Por que o azeite está tão caro? Entenda e relembre quanto o produto custava em 2023
Levantamento aponta que preços do extra virgem saltaram mais do que 40% em um intervalo de 12 meses
25/03/2024 18h25
Por: Luana Velloso
Imagem: Getty Images

Os preços do azeite no mercado interno parecem não ter limite de alta. Entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2024, os preços médios da garrafa do produto extra virgem, de 250 ml, subiram 51,4%, enquanto os da garrafa de 500 ml, aumentaram 43%.

Neste período, as embalagens menores de azeite saíram de R$ 20,03 para R$ 30,33. Já as maiores, de R$ 31,58 para R$ 45,17.

O preço o produto virgem, de 250 ml, subiu 25%, enquanto a embalagem de 500 ml, registrou alta de 48,3% no mesmo período. As informações são do levantamento realizado pela consultoria Horus Inteligência de Mercado, feito com base na análise de 500 milhões de notas fiscais por mês registradas em supermercados e hipermercados de todo o País.

Com isso, o virgem, em embalagem de 500 ml, que era vendido em média por R$ 26,93 em fevereiro de 2023, chegou a R$ 39,93 em fevereiro de 2024. Levantamento preliminar da consultoria mostra que nos primeiros 21 dias de março, os preços médios da embalagem de 500 ml de azeite virgem eram ainda maiores, em média, de R$ 43,37.

Na versão de 250 ml, os azeites que antes custavam R$ 22,49, agora, não saem por menos de R$ 28,14.

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) classifica como azeite de oliva extra virgem o produto que possui acidez máxima, de 0,8%, e como virgem o produto com acidez ente 0,8% e 2%.

Por que o azeite está tão caro?
A quebra histórica na safra de azeitonas da Europa em 2022/ 23, em decorrência da seca provocada pelo El Niño, derrubou em 20% a produção mundial de azeite. Ao invés de 3,3 milhões de toneladas, foram produzidos 2,7 milhões de toneladas de azeite, de acordo com Conselho Internacional de Azeite Olive (IOC, sigla em inglês).

Com isso, as exportações foram impactadas e o Brasil, como um dos maiores importadores do produto, reduziu suas compras de 100 mil toneladas de azeite em 2022, para 80 mil toneladas, em 2023.

Retração das compras
Com os preços mais altos, os consumidores compraram menos azeite. É o que mostram os dados sobre a taxa de incidência do azeite nas notas fiscais. A taxa indica a presença do produto em cada 100 notas fiscais avaliadas. Em fevereiro de 2023 era de 4,3%, caindo para 2,4% em fevereiro deste ano, mostrando que de cada 100 notas fiscais, em apenas 2,4 havia a categoria azeite.

Além de comprar menos, é comum também que o consumidor opte pelas garrafas de tamanho menor, de 250 mililitros. “Mas o ideal é que faça a conta do preço por litro de produto”, recomenda Anna Carolina Fercher, diretora de insights da consultoria. Isso porque embora os valores das garrafas menores pareçam melhores, eles não são.

De acordo com preços médios praticados em fevereiro, o litro do produto comercializado na garrafa de 250 mililitros custava R$ 121,32, enquanto o vendido na garrada de 500 mililitros, custava R$ 90,34. A consultora também orienta os consumidores a avaliarem os preços de todas as marcas.

Tendência de alta
A tendência para a safra 2023/24 é de que os preços permaneçam em patamares elevados. Isso porque, embora as estimativas apontem para um ligeiro aumento de 9% na produção da Europa, para 1,5 milhão de toneladas de azeite no período, ele não será o suficiente para atender a demanda.

As adversidades climáticas, caracterizadas pelo excesso de chuva em algumas regiões produtoras e seca em outras, comprometeram o desempenho dos pomares. Além disso, a safra 2023/24 é o ano de baixa da produção das oliveiras, que são uma cultura bianual. Tal cenário deve derrubar as exportações e consequentemente o consumo mundial.