Geral Transporte Público
Rodoviários decidem atrasar saída de ônibus das garagens nesta terça (30)
Categoria realizará assembleias no começo da manhã para definir novos rumos
29/04/2024 19h53
Por: Luana Velloso Fonte: Correio*
Foto: Reprodução

Os ônibus de Salvador vão sair das garagens com atraso nesta terça-feira (30). A decisão de iniciar a saída dos coletivos a partir das 8h foi tomada durante reunião do Sindicato dos Rodoviários, realizada na tarde desta segunda-feira (29). Na ocasião, a categoria optou pela manifestação. Com isso, haverá assembleias nas portas das garagens no começo da manhã.

Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, o vereador Hélio Ferreira, ainda não há indicativo de greve. "Por enquanto, não há nenhuma novidade. Amanhã vai haver as várias assembleias e lá serão decididos os novos movimentos", disse.

Nesta segunda-feira (29), os ônibus não saíram da Estação da Lapa entre às 11h e 13h30. Manifestantes levaram faixas e cartazes cobrando a pauta de reivindicações. Passageiros que desembarcam no terminal precisaram caminhar até os Barris para conseguir pegar um coletivo ou fazer o caminho inverso para pegar o metrô, o que deixou algumas pessoas indignadas.

A fila de ônibus começou dentro da estação, ocupou todo o Vale do Tororó, alcançou a rotatória dos Barris e avançou pelas marginais do Dique. O trânsito ficou caótico. Na rotatória, houve um princípio de desentendimento entre rodoviários e passageiros. Os primeiros desligaram os motores e disseram que iriam aderir ao movimento, enquanto os segundos exigiram o dinheiro da passagem de volta.

No coletivo que fazia a linha Trobogy/Lapa, passageiros se recusaram a desembarcar. Alguns argumentaram que não tinham dinheiro para pagar outra passagem e acusaram os rodoviários de fazerem uma paralisação sem avisar à população. O CORREIO flagrou pessoas com deficiência visual, outras em cadeiras de rodas e outras com muletas tendo que caminhar dos Barris até a Lapa.

Reivindicações

A categoria reivindica a reposição da inflação e ganho real de 4% sobre os salários, reajuste de 10% em cima do ticket alimentação, hoje em R$ 25, e vale transporte com integração ao metrô. Atualmente, o cartão que os trabalhadores usam para se deslocar para o trabalho só permite acesso aos ônibus. Eles também reclamam de assédio moral, afirmam que as empresas querem autorizar os ônibus a rodarem sem cobrador aos domingos e querem pagar horas extras com seis meses de carência.

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) comentou sobre o caso durante a entrega de duas encostas no bairro da Caixa d'Água, nesta segunda-feira. Ele voltou a afirmar que as questões devem ser debatidas entre o sindicato, os patrões e a justiça, e que a população não deve ser penalizada.

"Hoje, o que a empresa arrecada é insuficiente para pagar o custo do sistema. A prefeitura vinha assumindo essa conta, mas eu não tenho mais condições de botar nenhum real. Então, quando impedem os ônibus de saírem, diminui o faturamento. Tem outros caminhos que não a paralisação, então, eu acho isso uma irresponsabilidade e espero que seja cobrado compromisso dos líderes sindicais com a cidade e com as pessoas", afirmou.

Os rodoviários pedem a intermediação da prefeitura na negociação com os patrões. O presidente do sindicato, Hélio Ferreira, disse que o protesto desta segunda-feira teve como objetivo chamar a atenção da sociedade para os problemas enfrentados pela categoria.

"O prefeito pode evitar isso. Ele tem meu telefone e sabe que pode chamar o sindicato para conversar, chamar as empresas, destravar a campanha para a gente continuar negociando e resolver os problemas dos assédios. Isso é simples. Amanhã só não terá paralisação se o prefeito chamar a gente, destravar a campanha e resolver esse problema interno", afirmou o presidente.

Procurada, a prefeitura informou que, por enquanto, não há nenhuma reunião marcada em relação ao caso.

Polícia Militar e Transalvador acompanharam o protesto.