Geral No É do Povo
Delegado de Catu destaca importância da ação conjunta e educação preventiva na proteção de crianças e adolescentes
Luciano Lima foi o entrevistado desta quinta (9), no Programa É do Povo
09/05/2024 14h15 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Keila Abreu Fonte: Mais Região
Mais Região

Maio é o mês de combate ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, marcado pelo dia 18 de maio e pela Campanha Faça Bonito. Neste contexto, o delegado titular de Catu, Luciano Lima, foi o entrevistado desta quinta-feira (9) no Programa É do Povo. Ele discutiu o tema, enfatizando o papel da segurança pública no combate às violências contra crianças e adolescentes.

O delegado reforçou a premissa constitucional de que "Segurança Pública é dever do estado, direito e responsabilidade de todos". Nesse sentido, ele ressaltou a importância de fazer a população entender seu papel na prevenção da criminalidade, na diminuição da impunidade, na promoção da cultura da paz e na busca por soluções pacíficas de conflitos. Assim, a responsabilidade compartilhada entre o estado e os cidadãos com a participação ativa da segurança pública, da família e de outros órgãos e instituições, como Ministério Público, Conselho Tutelar, Escolas, órgãos de saúde, etc., é fundamental para garantir um ambiente seguro e justo para todos.

Lima destacou que "de 90 a 95% dos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes são praticados por familiares e pessoas próximas à família". Diante dessa realidade a família precisa aprender a prevenir esse tipo de crime, orientando as crianças a não permitirem toques em seu corpo, especialmente em partes íntimas, e incentivando a comunicação aberta sobre o que acontece, criando assim um ambiente propício para a proteção dos menores.

Recordando a origem do 18 de maio, que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, citando o caso emblemático de Araceli, cujo assassinato em 1973 tornou-se símbolo dessa luta, o delegado enfatizou a necessidade de um compromisso contínuo na luta contra a violência sexual. "Nossos indicadores são alarmantes, e estou certo de que o que investigamos é apenas a 'ponta do iceberg', que o problema é muito maior do que imaginamos! A gente precisa de uma década realizando um trabalho bem sério para transformar as gerações dos nossos filhos, para prepará-los para não serem violentos com as mulheres e saberem se prevenir desse tipo de violência", pontuou.

O delegado trouxe também exemplos de casos investigados por ele, como o de um pai que abusou da filha por anos e teve um filho com ela. Segundo ele, a família e a boa parte da comunidade desconfiavam da paternidade da criança, mas se omitiram e apenas 13 anos depois a justiça foi feita. 

Ele destacou também, a importância do acolhimento e da escuta especializada para crianças, ressaltando a necessidade da sala lilás e de uma equipe formada por profissionais capacitados para garantir que a criança não sofra com a "revitimização" e outros traumas.