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Queda na popularidade de Dilma ? alerta para 2014

Lutando contra a infla??o e acelerar o crescimento do PIB, a presidente se v? em meio a problemas com a basee ainda precisa neutralizar advers?rios

16/06/2013 22h31
Por: Redação
A presidente Dilma Rousseff se elegeu sem ter jamais disputado uma elei??o, manteve a popularidade a despeito de seguidos esc?ndalos de corrup??o e demonstra??es de inefici?ncia administrativa. Agora, no 30? m?s de governo, um elemento novo passou a afetar diretamente o seu apoio entre a popula??o: a infla??o. Dos temas que levam algu?m a decidir se d? ou n?o sua confian?a a um pol?tico, a economia costuma ser o n?mero um. E dentre os temas econ?micos, a infla??o est? entre os que mais diretamente influenciam a avalia??o de um governo. Pesquisa divulgada na ?ltima semana pelo Instituto Datafolha mostra que a avalia??o do governo piorou: a aprova??o caiu de 65% para 57% em tr?s meses. E que, no cen?rio eleitoral de 2014, a vantagem de Dilma Rousseff n?o ? incontest?vel. Isso est? longe de significar um cen?rio apocal?ptico. Dilma ainda desfruta de ?ndices de aprova??o superiores aos dos dois antecessores no mesmo per?odo do governo. Ela tamb?m tem ampla vantagem na inten??o de voto. Mas o cen?rio de incertezas na economia e a aus?ncia de perspectiva de grandes realiza??es nos pr?ximos meses tornam o cen?rio nebuloso. Al?m disso, na elei??o de 2014 Dilma deve ter tr?s advers?rios competitivos: Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, tem potencial para tirar votos da petista no Nordeste. Marina Silva (Rede) ? popular em grandes centros urbanos. E o senador A?cio Neves (PSDB) ? o favorito para levar os dois maiores col?gios eleitorais do pa?s, Minas Gerais e S?o Paulo. Economia se torna mico de governo -?Desde que assumiu o poder, em 2011, Dilma, graduada em Economia, n?o conseguiu colher os louros de um crescimento robusto, tal como seu antecessor. O melhor desempenho registrado at? o momento foi em seu primeiro ano de mandato, quando o Produto Interno Bruto (PIB) expandiu 2,7% - n?mero considerado decepcionante ? ?poca. De l? para c?, a cada divulga??o do PIB, surge uma nova frustra??o. No ano passado, o crescimento n?o passou de 0,9%. E, dado o ?pibinho? do primeiro trimestre de 2013 (avan?o de 0,6%), as expectativas para o acumulado deste ano n?o s?o as mais animadoras. Contudo, como o baixo crescimento (ainda) n?o afetou o avan?o do mercado de trabalho, seus efeitos n?o pesam tanto sobre a avalia??o positiva da presidente como o antigo vil?o conhecido dos brasileiros: a infla??o. Ela tem sido, nos ?ltimos meses, um pesadelo de Dilma e da equipe econ?mica. Em maio, o ?ndice de Pre?os ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a infla??o oficial, tocou o teto da meta no acumulado de 12 meses, de 6,5%, apesar de ter apresentado leve desacelera??o na compara??o com o m?s anterior. No in?cio do ano, o IPCA chegou a estourar a meta. O problema, que vem sendo apontado desde 2010, ?ltimo ano do governo Lula, e negligenciado pelo governo Dilma, s? ganhou import?ncia no seio do Pal?cio do Planalto depois que uma emblem?tica escalada no pre?o do tomate devolveu a infla??o ao repert?rio de assuntos das fam?lias, no primeiro trimestre deste ano. ?A infla??o est? trazendo desconforto para a popula??o?, diz o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. ?Esse ? um flagelo que a sociedade brasileira n?o tolera mais.? Contudo, a subida de juros ? rem?dio necess?rio para conter a infla??o, mas impopular porque afeta diretamente o consumo ? veio em momento tardio. Conforme argumentou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em evento nesta semana, apenas a subida da Selic n?o ser? suficiente para deter o avan?o do IPCA. ?? preciso um ajuste fiscal?, disse FHC. Para o economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, o rem?dio tardio ter? de vir em doses mais fortes - e nocivas politicamente. ?A alta da Selic para 9,0% ou 9,25% at? o final do ano n?o vai mexer na infla??o. O governo n?o fez a li??o de casa?, diz. Retomar o trip? macroecon?mico, contudo, n?o ser? tarefa f?cil ? sobretudo porque a presidente n?o reconhece as decis?es erradas tomadas ao longo do governo e relega ao cen?rio externo a culpa pelos males que atingem a economia do pa?s. Segundo Gustavo Loyola, a combina??o da pol?tica de juros, c?mbio flutuante e ajuste fiscal se mostrou vencedora no governo FHC e deve voltar a ditar os rumos econ?micos. ?Foi o que levou o Brasil para um patamar melhor nos anos 1990 e 2000. O pa?s precisa ainda retomar a agenda de reformas?, comenta. A pol?tica fiscal ? outro assunto que tem afetado a credibilidade de Dilma e da equipe econ?mica ? sobretudo para o mercado internacional. Na semana passada, a ag?ncia de classifica??o de risco Standard & Poor?s reduziu a perspectiva da nota de cr?dito do pa?s de ?est?vel? para ?negativa?, o que pode implicar em rebaixamento do rating de cr?dito. Ainda que essa decis?o n?o tenha grande peso para o eleitorado de Dilma, ela afeta diretamente a imagem do pa?s em rela??o aos investidores. Com a imagem arranhada, ficar? cada vez mais dif?cil para o governo atrair investimentos privados necess?rios para que a economia retome f?lego e volte a crescer em breve. Para o ex-secret?rio-executivo da Fazenda Bernard Appy, a popularidade de Dilma n?o foi mais afetada porque o n?vel de emprego ainda ? alto. ?O baixo crescimento ainda n?o afetou na taxa de emprego, porque o setor de servi?os ainda continua contratando, mas isso pode ser mudar?, explica. Sobre a quest?o fiscal, Appy indica que o erro do governo ? a falta de transpar?ncia. ?H? uma perda de transpar?ncia na forma como a pol?tica fiscal vem sendo gerida, devido aos ajustes do super?vit prim?rio?, pontua. ?Nos ?ltimos anos viu-se tamb?m um uso muito grande de recursos do Tesouro para financiar os custos correntes. A medida n?o ? de todo ruim e pode ser defens?vel em casos de desacelera??o da economia. Mas ? preciso indicar qual ser? a trajet?ria da d?vida bruta do pa?s, ou seja, ? preciso ser transparente.? Pol?tica -?Al?m dos percal?os na economia, a presidente tem enfrentado problemas com o Congresso. Por raz?es diversas, mas todas ligadas ? falta de articula??o pol?tica do Planalto, partidos aliados passaram a se comportar de maneira cada vez menos fiel. Indiretamente, esses atritos prejudicam a popularidade da presidente porque atrapalham a aprova??o de propostas que o Planalto considera importantes. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a MP dos Portos e o Or?amento de 2013 - aprovado apenas em fevereiro deste ano. Varia??es de popularidade s?o comuns ao longo dos mandatos. Tamb?m ? comum a colheita de dividendos eleitorais no ?ltimo ano de gest?o, com a inagura??o de obras e a consolida??o de programas importantes. A presidente, entretanto, parece n?o ter cartas na manga para 2014. "A gente sabe que ela n?o tem tempo de inaugurar obras porque as obras n?o est?o sendo realizadas. N?o h? tempo de ela inaugurar empreendimentos como a transposi??o do rio S?o Francisco", diz o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). O cientista pol?tico David Fleischer, da Universidade de Bras?lia, afirma que o governo ainda n?o tem uma marca que conquiste o eleitorado - apesar de programas como o Brasil Sem Mis?ria. "Dilma vai ter de inventar uma outra bandeira", afirma. Um sinal de que o eleitor, embora aprove a presidente n?o se entregou incondicionalmente a ela vem da j? mencionada pesquisa Datafolha: 73% da popula??o diz ainda n?o ter escolhido seu candidato pra 2014. Rea??o -?A queda de popularidade n?o pode ser atribu?da ao desleixo da presidente com sua imagem. Pelo contr?rio: desde o come?o do ano, ela intensificou o an?ncio de medidas de apelo popular, passou a viajar mais pelo pa?s, aumentou sua exposi??o nas cadeias de r?dio e TV e passou a discursar mais vezes, e por mais tempo, em eventos da Presid?ncia - o que garante exibi??o no notici?rio. A estrat?gia de Dilma, moralmente question?vel, ? comum na pol?tica brasileira. Ao mesmo tempo em que ela embarcava na campanha antecipada, A?cio Neves e Eduardo Campos, tamb?m ocupantes de cargos p?blicos, faziam o mesmo. E por isso a queda na popularidade da presidente pode servir como um alerta importante: o recuo ocorreu exatamente no per?odo em que Dilma crescia em exposi??o nos meios de comunica??o. Os petistas dizem que tudo est? sob controle. "Em 2009 o PIB diminuiu, a presidente tinha 4% nas pesquisas e Jos? Serra tinha 45%. Isso n?o significa nada", diz o deputado C?ndido Vaccarezza (PT-SP). A ministra de Rela??es Institucionais, Ideli Salvatti, tamb?m faz pouco da queda de popularidade: "Pesquisa sobe e desce. ? da vida. O mais importante ? o trabalho e o resultado do trabalho frente ? situa??o que temos no mundo e no Brasil." Mas s?o claros os sinais de que o governo recebeu os n?meros com preocupa??o. J? na primeira apari??o p?blica depois da divulga??o das pesquisas, Dilma Rousseff usou uma obviedade para enfatizar sua disposi??o em impedir o avan?o da infla??o: "N?o h? a menor hip?tese de que o meu governo n?o tenha uma pol?tica de controle, de combate ? infla??o", disse ela, que tamb?m criticou duramente o que acredita serem "Velhos do Restelo" - pessimistas que torceriam contra sua gest?o. De qualquer forma, como mostram as pesquisas de popularidade, o jogo eleitoral ? uma guerra defensiva em que a pol?tica ? apenas parte do campo de batalha enfrentada por Dilma Rousseff. Em 2014, quanto mais incertezas houver na economia, mais dif?cil vai ser convencer o eleitor a dar mais quatro anos de mandato ? chefe do Executivo.   (Com conte?do da Veja / Foto:?Ueslei Marcelino/Reuters)
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