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Pela primeira vez na Bahia, Brasil goleia Jamaica em último amistoso antes das Olimpíadas
Os gols da seleção foram marcados por Debinha, Jheniffer (duas vezes) e Marta
04/06/2024 22h13 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Correio*
Jogadoras da seleção em comemoração do gol de Debinha Crédito: Paula Fróes/CORREIO

Na noite desta terça-feira (4), os torcedores baianos tiraram a camiseta verde e amarela do armário para fazer história. Vindo do Dique do Tororó ou descendo pela ladeira da Fonte das Pedras, quem foi à Arena Fonte Nova fez parte da primeira vez em que a seleção feminina joga uma partida na Bahia. Para coroar a ocasião, não faltou palmas, cantoria e a comemoração de gol quando Debinha, Jheniffer (duas vezes) e Marta balançaram as redes da Jamaica na goleada por 4x0.

Após a goleada de 4x0 contra a própria Jamaica no último sábado (1), o técnico Arthur Elias aproveitou o jogo em Salvador para rodar a seleção e testar novas jogadoras, que mostraram estar à altura de vestir a amarelinha. A estreante Byanca Brasil foi um dos destaques da partida, além de Jheniffer, com dois gols, e a rainha Marta. Mas dentre todas as brasileiras, os holofotes estavam voltados para Rafaelle, primeira jogadora baiana a atuar em seu estado. 

DOMÍNIO VERDE E AMARELO

Embaladas pelo canto baiano, a seleção brasileira começou o jogo em Salvador com a intensidade nas alturas. Nem mesmo quando a Jamaica ameaçou estragar a festa, com um gol anulado por impedimento, as meninas deixaram o ânimo cair. Logo aos 6 minutos, em resposta à ofensiva jamaicana, Duda Sampaio fez um belo lançamento para Gabi Portilho, que avançou livre e tocou para Debinha inaugurar o placar na Arena. 1x0 Brasil.

A equipe comandada pelo técnico Arthur Elias encurralou as adversárias dentro de seu próprio campo. Quando as jamaicanas tentavam sair da pressão imposta pelo Brasil, as atletas da seleção rapidamente interceptavam as jogadas. Mais a frente, a movimentação fluida das atacantes brasileiras, principalmente com Debinha, funcionou como uma forma de confundir a zaga da Jamaica, mesmo quando a linha de cinco era montada.

A cada jogada do Brasil, a Fonte Nova vibrava em emoção. Os gritos de "Ê Brasil" tomaram conta do estádio mesmo quando era a goleira Natascha quem estava com a bola. Aliás, a arqueira subia para jogar como líbero e compor a primeira linha do Brasil. Taticamente, a seleção mostrou um leque diverso de opções, variando de acordo com a necessidade do jogo. Quatro atacantes, cinco defensoras, quatro no meio campo e mais. O que fosse preciso fazer, a seleção modificava o esquema a seu bel prazer.

Entre jogadas do Brasil que terminaram nas mãos da goleira Sydney Scheider e dribles desconcertantes das jogadoras brasileiras, o primeiro tempo acabou com domínio total da seleção. O cenário imposto às jamaicanas pouco se alterou ao longo dos primeiros 45 minutos, já que eram raras as vezes que as rivais podiam ensaiar uma aproximação ao gol do Brasil. E quando conseguiam, era através de chutões ou erros de recomposição. 

Na volta do intervalo, ambas as equipes voltaram com apenas uma mudança. No entanto, enquanto o Brasil mantinha o ímpeto ofensivo, a Jamaica começou a se encontrar dentro da partida. Antes dos dez minutos da etapa final, Jody Brown conseguiu achar um passe entre as linhas do Brasil para a atacante Primus, que teve o chute interceptado. Minutos depois, a própria Brown recebeu dentro da área e finalizou para fora.

Observando a crescente das adversárias, Arthur Elias tratou logo de mexer o banco de reservas e colocar as jogadoras mais aguardadas pela torcida. Porém, antes mesmo de Marta e Cristiane entrarem, a bola parada do Brasil fez efeito. Após cobrança de escanteio, Gabi Nunes cabeceou para defesa de Schneider. No rebote, Jheniffer encheu o pé para ampliar o placar. 2x0 Brasil. Se com o gol, a Fonte Nova explodiu, o coro foi ainda maior quando as estrelas deram o primeiro passo no gramado.

Após o segundo gol, os ânimos da partida se acalmaram e o Brasil foi retomando o controle do jogo aos poucos. A retomada da partida foi escalonando até mais um momento apoteótico, o terceiro gol. Aos 33 minutos do segundo tempo, quando Cristiane recebeu dentro da área, fez o pivô e deixou Jheniffer bater colocado para marcar o seu segundo gol no jogo. 3x0 Brasil.

Seis minutos depois, falta para o Brasil na entrada da grande área. Quando Marta se preparou para a cobrança, os gritos tomaram conta do estádio. No entanto, mais bonito que a festa da torcida foi a finalização da camisa 10 brasileira, sem chances para a goleira Jamaicana, que só viu as redes balançarem com o gol de Marta. 4x0 Brasil.

Com o mesmo placar do último jogo, a seleção brasileira não pensou em parar e empilhou chances de alargar a goleada. No entanto, nem mesmo após os quatro minutos de acréscimo, Salvador conseguiu comemorar o quinto gol, o que não incomodou nem um pouco os baianos, que levantavam os celulares com o flash ligado e entoavam em um mesmo canto "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor".

FICHA TÉCNICA

Brasil 4 X 0 Jamaica - Amistoso

Brasil: Natascha; Bruninha, Tarciane (Antonia), Rafaelle e Yasmim; Duda Sampaio, Lais Estevam (Brena), Debinha (Marta) e Byanca Brasil (Jheniffer); Gabi Nunes (Cristiane) e Gabi Portilho (Ludmila). Técnico: Arthur Elias.

Jamaica: Sydney Scheider, Tiffany Cameron (Simmonds), Allyson Swaby (Konya Plummer), Chantelle Swaby e Deneisha Blackwood; Peyton McNamara (Drew Spence), Vyan Sampson, Naya Cardoza e Atlanta Primus; Kayla McKenna (Solai Washington) e Jody Brown (Amelia Van Zanten). Técnico: Hubert Busby

Gols: Debinha, aos 6 minutos do primeiro tempo; Jheniffer, aos 18 e aos 33 e Marta aos 39 do segundo tempo

Local: Arena Fonte Nova

Público: 31.547 pagantes

Renda: R$ 877.514,00

Arbitragem: Emikar Calderas (VEN), auxiliada por Migdalia Rodriguez (VEN) e Nancy Fernandez (PAR). No VAR, Jesica Salomé di Lorio (ARG)