Depois de uma quinta-feira de extrema tens?o em que a presidente Dilma Rousseff viu chegar ? sua porta a?onda de protestos?que varre o Brasil com dezenas de demandas e forte sentimento de rejei??o ? classe pol?tica, uma rede nacional de r?dio e televis?o foi convocada, ?s 21h desta sexta-feira, para que ela se dirigisse ao pa?s. A fala de dez minutos teve dois eixos: Dilma afirmou reiteradas vezes que seu governo est? "ouvindo as vozes democr?ticas que pedem mudan?as", mas tamb?m demonstrou grande preocupa??o com a seguran?a e com o "primado da lei e da ordem". "Como presidenta, eu tenho a obriga??o tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispens?veis para a democracia", afirmou. Uma terceira parte do seu discurso foi dedicada ?s promessas - algumas bem requentadas. Ela afirmou que convidar? governadores e prefeitos das grandes cidades para "um grande pacto em torno melhoria dos servi?os p?blicos". As prioridades seriam a formula??o de um plano nacional de mobilidade urbana em conjunto com estados e munic?pios, a destina??o de 100% dos royalties do petr?leo para a educa??o e a despropositada contrata??o de milhares de m?dicos estrangeiros para atender a demanda dos rinc?es do Brasil. Chamou a aten??o a ?nfase dada pela presidente ao "barulho e a trucul?ncia de alguns arruaceiros". De fato, a op??o por fazer o pronunciamento come?ou a ser tomada na noite de ontem enquanto Dilma, no Pal?cio do Planalto, acompanhada por alguns assessores mais pr?ximos, assistia aos protestos que se desenrolavam a 700 metros do seu gabiente e em uma centena de outras cidades pelo pa?s. A viol?ncia que se desdobrou no Rio de Janeiro foi decisiva. Dilma conversou com o governador do Rio de Janeiro, S?rio Cabral (PMDB), que lhe transmitiu um relato alarmante sobre a depreda??o nas ruas da capital fluminense - acontecimentos muito mais chocantes do que as televis?es exibiam ao pa?s. N?o por outro motivo, a reuni?o na manh? desta sexta-feira foi com o ministro da Justi?a, Jos? Eduardo Cardozo, e o diretor-geral da Pol?cia Federal, Leandro Daiello. Ao longo do dia, o discurso foi esculpido pelas m?os do marqueteiro Jo?o Santana e mostrado a diversos ministros antes de uma grava??o feita em estilo "ao vivo". A viol?ncia tamb?m parece ter alarmado o governo pelo efeito que pode ter sobre a imagem do pa?s - jornais internacionais de todo o mundo t?m dado cobertura ampla aos protestos e ressaltado que estilha?am a imagem de um Brasil em que tudo vai bem. "N?o podemos conviver com essa viol?ncia que envergonha o Brasil", disse Dilma. Em refer?ncia ? Copa das Confedera??es e ? Copa do Mundo de 2014, ela pediu uma "acolhida generosa aos povos irm?os" e que sejam tratados "com respeito os nossos h?spedes". O rep?dio manifestado nas ruas aos pol?ticos e partidos - em especial ao PT, partido da presidente, que por d?cadas se arvorou no papel de porta-voz dos anseios populares - tamb?m ensejou uma men??o da presidente: "? um equ?voco achar que qualquer pa?s possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democr?tico". Este foi o quarto pronunciamento em rede nacional de Dilma neste ano. O primeiro deles foi marcado pelo tom agressivo e pela ret?rica do "n?s contra eles", ou seja, direcionado a atacar a oposi??o ao seu governo, chamados por ela de "do contra". Nas duas falas seguintes, Dilma baixou o tom e se limitou a exaltar feitos de sua gest?o e a anunciar medidas de forte impacto no eleitorado, como a desonera??o de produtos da cesta b?sica. ?s v?speras do in?cio das passeatas no pa?s, Dilma ostentava ?ndice pr?ximo de 60% de aprova??o nas pesquisas de opini?o, ainda que com vi?s de queda. Foi um caminho surpreendente o que levou Dilma Rousseff do seu primeiro pronunciamento, em janeiro, ? fala desta sexta-feira, conclu?da com um enf?tico "Eu estou ouvindo voc?s!" (Com conte?do da Veja) / Foto: Reprodu??o
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