Familiares e colegas de Welson Figueiredo Macedo, 28 anos, morreu durante incursão policial no bairro de Castelo Branco, lotaram o Cemitério do Bosque da Paz no sepultamento do funcionário de uma empresa terceirizada da Embasa. No local, além de se despedir de Welson, pessoas próximas dele acusaram policiais militares de terem executado o jovem.
Um primo de Welson, que prefere não se identificar por medo de represálias, conversou com a reportagem e afirmou que Welson teria sido morto pelas costas. Ele afirma ainda que encontrou o primo no hospital após ter sido atingido e ele não apresentava lesões características de alguém morto durante uma fuga.
"Welson tinha descido da moto e se rendido. Ele tomou um tiro pelas costas porque, se ele estivesse em fuga como fala, estaria todo ralado, o que não aconteceu. Como você está a 100 km/h fugindo da polícia, toma um tiro e não se rala? Encontrei Welson na maca do hospital e ele não tem um arranhão", fala.
Sobre o caso, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que agentes da 47ª CIPM faziam rondas na região e verificaram três homens praticando roubos em motocicletas. A PM afirma ainda que houve troca de tiros com os suspeitos no fim de linha de Castelo Branco e um deles foi atingido, sendo encontrados com ele um revólver calibre 38 e munições do mesmo calibre.
O homem atingido é Welson, mas a família afirma que, sob hipótese alguma, ele estaria armado e em confronto com a polícia. Pessoas próximas a ele, que morava na entrada de Jaguaribe, contam que ele havia saído da empresa Bel Cabula, terceirizada da Embasa, e levado um colega em Castelo Branco antes de ir para casa, como faz todo dia.
No percurso, Welson teria cruzado com os policiais. Entre os familiares, é consenso que ele foi executado. "Andam com viaturas escrito 'Pacto pela Vida', mas deveria mudar para 'Ceifadores de Vida' porque essa é a verdade. Mataram meu primo, que chegou no hospital e está sendo tratado como vagabundo. Ele era um trabalhador, olha o tanto de gente aqui para provar", falou o primo.
Jucélia Fiel, cunhada de Welson, estava em prantos no local. Ela protestou contra a morte dele e afirmou que a sociedade precisa estar atenta a casos como esse. "Eu, tomando café, já assisti vários casos como o de Welson. Porém, nós em casa tratamos como se fosse só mais um e não pode ser assim, gente. Quando é com a gente, dói demais. Só sentimos quando é alguém perto da gente. Não pode mais acontecer", fala ela.
Além do sepultamento, amigos, familiares e colegas de Welson fizeram uma carreata para protestar contra a morte dele.
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