Geral Acidente Aéreo
Todos os 62 corpos de vítimas de queda de avião em Vinhedo (SP) são resgatados
Dois deles foram identificados, segundo Corpo de Bombeiros; 62 pessoas morreram no acidente
10/08/2024 20h11
Por: Luana Velloso Fonte: Folha de S. Paulo
Foto: Bruno Santos/FolhaPress

O número de vítimas da queda do avião da Voepass no município de Vinhedo, a 79 km da capital paulista, subiu para 62. Pouco antes das 19h deste sábado (10), a força-tarefa formada por bombeiros, peritos e policiais civis e federais concluiu o resgate dos corpos, sendo 34 de homens e 28 de mulheres. Dois deles foram identificados —o piloto e o copiloto do voo.

"O que era mais urgente e a nossa prioridade foi cumprido", disse a tenente Olivia Perrone, porta-voz do Corpo de Bombeiros. A sequência dos próximos passos da operação no local de acidente, como a continuidade da perícia científica e a retirada dos destroços, serão definidos durante uma reunião com vários órgãos na noite deste sábado.

A retirada das últimas vítimas era a mais difícil pelo fato de estarem nas partes central e traseira da aeronave, que foram mais atingidas pelo fogo e prensadas pelo impacto da queda.

Todos os corpos resgatados seriam levados para o IML (Instituto Médico-Legal) Central da cidade de São Paulo para identificação. Até a noite deste sábado, 50 haviam sido transportados para a unidade.

Segundo o tenente Araújo Monteiro, da Defesa Civil, 17 famílias já passaram por atendimento no Instituto Oscar Freire, que inclui coleta de material genético, entrevistas para colher informações que possam ajudar na identificação dos corpos e orientação jurídica e psicológica.

"É um processo trabalhoso. Cada entrevista, por exemplo, pode levar mais de uma hora", explicou ele. Outras cinco famílias já estão aguardando pelo atendimento em hotéis fornecidos pela companhia aérea, e há ainda uma família de uma vítima portuguesa vindo de Portugal.

A assessoria jurídica às famílias das vítimas está sendo prestada por promotores de Justiça e defensores públicos tanto do Paraná quanto de São Paulo, que trabalham em conjunto.

Dois corpos foram identificados ainda no condomínio de casas onde caiu o avião. Segundo o capitão Michael Cristo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o resgate começou pela parte da frente da aeronave, menos atingida pelo fogo após a queda.

Ele disse que os "corpos estão como se estivessem sentados em seus respectivos assentos".

"Para quem viu imagens aéreas, o avião caiu como se estivesse chapado no chão. A gente está com o desenho da aeronave no chão", explicou Cristo. As posições estão sendo usadas para identificar o corpo das vítimas. Os primeiros a serem identificados foram piloto e copiloto.

Na manhã deste sábado, a tenente Olívia Perrone disse que o trabalho de resgate foi acelerado na manhã deste sábado por causa da claridade do dia.

A aeronave caiu na sexta-feira (9), durante viagem de Cascavel (PR) a Guarulhos (Grande São Paulo), na área de uma casa no condomínio Recanto Florido, no bairro Capela. Imagens feitas por moradores mostram o avião em queda livre e, na sequência, uma explosão seguida por muita fumaça.

O acidente matou os 58 passageiros e os quatro tripulantes que estavam a bordo. Inicialmente, foi divulgado que 61 pessoas estavam no avião. Mas, neste sábado (10), a Voepass afirmou que o nome de um passageiro, Constantino Thé Maia, não constava da lista de embarcados.

A aeronave, que decolou às 11h50 e tinha previsão de chegada às 13h40, perdeu 3.300 metros de altitude em menos de um minuto a partir das 13h21, segundo o site Flight Aware, que monitora voos em tempo real ao redor do mundo.

Registros do site mostram que o bimotor começou a perder altitude às 13h20, quando estava a cerca de 5.100 metros. Cerca de um minuto depois, atingiu 1.798 metros, no último registro disponível.

Segundo a Força Aérea Brasileira, o avião deixou de responder às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo às 13h21. O piloto não teria declarado emergência ou reportado estar sob condições meteorológicas adversas.

A Voepass, dona da aeronave, disse que ainda não tem informações sobre a causa do acidente. O CEO da companhia aérea, Eduardo Busch, afirmou ainda que tudo o que tem circulado nas redes sociais é especulação.

Nas primeiras horas após o acidente, especialistas em aviação ouvidos pela Folha levantaram duas hipóteses principais para o caso com base nos primeiros detalhes, ressaltando que é cedo para determinar as causas.

Vídeos do momento da queda mostram que a aeronave desceu rodopiou no ar, mantendo-se em posição horizontal, manobra conhecida como "parafuso chato". Essas condições, segundo especialistas indicam que o piloto havia perdido o controle da aeronave e as condições de arremeter —ou seja, apontar o nariz da aeronave para baixo e usar os motores para ganhar novamente sustentação no ar.

O especialista em segurança de voo Roberto Peterka levantou a possibilidade de que gelo tenha se acumulado nas asas da aeronave. Já o engenheiro Hildebrando Hoffman, professor aposentado de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), citou a hipótese de que tenha ocorrido uma falha na posição das hélices.

Ambas as hipóteses teriam afetado a capacidade de tração da aeronave. Eles descartaram a possibilidade de falha elétrica ou no motor, pois há sistemas auxiliares que normalmente não fariam com que o avião caísse em queda livre, como se vê nas imagens. A pane seca também está descartada, uma vez que o combustível queimou no solo, após a queda.

O avião era um ATR-72, fabricado em 2010 e tinha certificados de matrícula e de aeronavegabilidade válidos, segundo a Anac (Agência Nacional de Avião Civil). O voo contava com quatro tripulantes a bordo no momento do acidente e todos estavam devidamente licenciados e com as habilitações válidas.

"A aeronave estava regular, em todas as condições de aeronavegabilidade. Temos a rastreabilidade desde que a aeronave foi construída e isso será levantado e a informação será prestada à investigação feita pelo Cenipa", disse o diretor da agência, Luiz Ricardo.

A caixa-preta do avião foi recuperada, de acordo com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Força Aérea Brasileira. O acidente foi considerado de alta complexidade e havia uma preocupação de que altas temperaturas pudessem ter danificado os equipamentos.

A unidade de São Paulo, Cenipa 4, disse ter conseguido encontrar os gravadores, nas siglas em inglês, CVR, o cockpit voice recorder, e o FDR, flight data recorder. O primeiro grava vozes da cabine e o outro dados do voo, como altitude, meteorologia, velocidade, dentre outros.

Vítimas do voo 2283

PASSAGEIROS

Constantino Thé Maia
Rosangela Souza
Eliane Andrade Freire
Luciani Cavalcanti
José Fer
Denilda Acordi
Maria Auxiliadora Vaz de Arruda
José Cloves Arruda
Nélvio José Hubner
Gracinda Marina Castelo da Silva
Ronaldo Cavaliere
Silvia Cristina Osaki
Wlisses Oliveira
Hialescarpine Fodra
Daniela Schulz Fodra
Regiclaudio Freitas
Simone Mirian Rizental
Josgleidys Gonzalez
Maria Parra
Joslan Perez
Mauro Bedin
Rosangela Maria de Oliveira
Antonio Deoclides Zini Júnior
Kharine Gavlik Pessoa Zini
Mauro Sguarizi
Leonardo Henrique da Silva
Maria Valdete Bartnik
Renato Bartnki
Hadassa Maria da Silva
Raphael Bohne
Renato Lima
Rafael Alves
Lucas Felipe Costa Camargo
Adrielle Costa
Laiana Vasatta
Ana Caroline Redivo
José Carlos Copetti
André Michel
Sarah Sellalanger
Edilson Hobold
Rafael Fernando dos Santos
Lizibba dos Santos
Paulo Alves
Pedro Gusson do Nascimento
Rosana Santos Xavier
Thiago Almeida Paula
Adriana Santos
Deonir Secco
Alípio Santos Netos
Raquel Ribeiro Moreira
Adriano Da Luca Bueno
Miguel Arcanjo Rodrigues Junior
Diogo Avila
Luciano Trindade Alves
Isabella Santana Pozzuoli
Tiago Azevedo
Mariana Belim
Ariane Risso

TRIPULANTES

Debora Soper Avila (comissária de bordo)
Rubia Silva de Lima (comissária de bordo)
Humberto de Campos Alencar e Silva (copiloto)
Danilo Santos Romano (comandante)