A preocupação com a saúde mental dos profissionais de segurança foi o tema de uma entrevista desta quinta-feira (19) com o delegado titular de Catu, Dr. Luciano Lima, no Programa É do Povo. Ele destacou a urgência de abordar as questões de saúde mental no contexto da segurança pública, especialmente diante dos preocupantes índices de suicídio entre policiais no Brasil.
A estatística não é favorável aos policiais. No relatório anual de segurança pública de 2023, ficou evidenciado que a Bahia é o quarto estado do Brasil com o maior número de suicídios entre policiais. Além disso, "é alarmante notar que os policiais no Brasil perdem suas vidas por suicídio em maior proporção do que em confrontos com criminosos", informou o delegado. Esse dado ressalta a urgência de abordar a saúde mental nas forças de segurança, especialmente em um cenário onde cada mês, em 2024, pelo menos um policial militar atenta contra a própria vida no estado. Até 14 de maio, a Associação de Policiais e Bombeiros Militares da Bahia (Aspra-BA) registrou seis casos.
Para debater essas questões, o I Seminário "Cuidando de quem cuida da Segurança Pública" acontecerá na próxima quarta-feira, 25 de setembro, no Espaço Multicultural de Catu, das 8h às 12h, como uma iniciativa para enfrentar essa crescente preocupação. O evento, que é aberto ao público, contará com a presença de especialistas em saúde mental e segurança pública, como a vice-presidente da Vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Christianne Gurgel, o próprio Dr. Luciano Lima, delegado de Catu, além da médica Bruna Vieira e dos psicólogos Breno Queiroz e Elisa Andrade.
Dr. Lima comentou ainda sobre a complexidade do trabalho policial, marcado por riscos de vida iminentes, sobrecarga de trabalho devido à falta de pessoal e um aumento das demandas por segurança em decorrência da crescente violência, sem contar nas cobranças que vêm da sociedade, familiares de vítimas, presos, órgãos de comunicação, poder judiciário, autoridades e políticos locais, além da pressão interna de chefes e superiores. A deficiência na formação e qualificação dos profissionais, segundo ele, também contribui para a deterioração da qualidade do serviço prestado à sociedade. Essa falta de estrutura, somada à desvalorização salarial, gera um ambiente de trabalho que pode culminar em sérios problemas de saúde mental.
Aliado a tudo isso, ainda há o estigma em torno da saúde mental e a busca por ajuda, que ainda representam grandes desafios dentro da cultura policial, que é predominantemente masculina e marcada pelo machismo estrutural. Segundo ele, fatores como o "estereótipo de heróis, de superpoderosos de que não somos afetados por essas questões ainda perduram. Temos que acabar com isso e discutir internamente".
"O primeiro passo para cuidar da saúde mental é perceber que está fragilizado e precisa de ajuda", concluiu, ressaltando a importância do seminário como um espaço para promover essa conscientização e preparar os policiais para enfrentar adversidades psicológicas.
Se você está precisando de ajuda imediata, é fundamental buscar apoio. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece um serviço gratuito de apoio emocional, disponível 24 horas por dia, por meio de e-mail, chat no site ou pelo telefone 188. Além disso, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), são unidades dedicadas ao atendimento de pacientes com transtornos mentais, proporcionando suporte e cuidado especializado.