O cenário político brasileiro foi redesenhado após os resultados finais das Eleições Municipais de 2024, com os partidos de centro-direita conquistando uma posição favorável para futuras articulações, incluindo o pleito de 2026. Os partidos PSD e MDB despontaram como as legendas com maior número de vitórias, somando 885 e 853 prefeituras, respectivamente, incluindo a conquista de cinco capitais cada uma. Esse avanço, em especial sobre cidades estratégicas, como São Paulo, reforça a força conservadora e de centro-direita, mesmo com ambos os partidos oficialmente integrando a base do governo do presidente Lula (PT).
Um dos destaques foi a vitória de Ricardo Nunes (MDB) na capital paulista, superando Guilherme Boulos (PSol), candidato apoiado pelo presidente Lula. Em contraste, o PT, embora tenha recuperado Fortaleza após quase oito anos, ficou com 252 prefeituras, um número bem inferior ao dos partidos de centro-direita, que lideram o ranking de prefeituras em todo o país. O crescimento dessas legendas conservadoras foi comentado pelo deputado André Janones (Podemos-MG), que apontou para uma polarização entre direita e extrema direita.
Perspectivas para 2026: Cenário incerto e nomes em potencial
Mesmo com o crescimento conservador, a corrida presidencial de 2026 ainda apresenta incertezas. No campo progressista, Lula, apesar dos seus 79 anos, pode tentar uma nova reeleição. Alternativas mencionadas incluem o ministro Fernando Haddad (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Do lado direito, Jair Bolsonaro (PL) enfrenta desafios judiciais que podem impedir sua candidatura, enquanto outros nomes, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), surgem como fortes opções.
Ainda que o PL tenha conquistado 516 prefeituras, candidatos mais próximos de Bolsonaro, como seus ex-ministros Marcelo Queiroga e Gilson Machado, não tiveram êxito nas capitais. A derrota em Recife para João Campos (PSB) e no Rio para Eduardo Paes reforça a perda de força do bolsonarismo em grandes centros urbanos.
Kassab e a estratégia política do PSD
Gilberto Kassab, presidente do PSD, saiu como um dos maiores vencedores. Com o partido consolidado nacionalmente, Kassab está em posição de negociar alianças tanto com o governo Lula, onde seu partido ocupa ministérios, quanto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em relação a 2026, Kassab sinaliza Ratinho Júnior, governador do Paraná, como potencial candidato do PSD à presidência.
Próxima batalha: o controle do Legislativo em 2025
As lideranças do centro-direita devem se concentrar, agora, nas eleições para a presidência da Câmara e do Senado, previstas para fevereiro. A disputa pela sucessão de Arthur Lira (PP) na Câmara é acirrada, com líderes do Republicanos, União Brasil e PSD no páreo. No Senado, a vitória do União Brasil é praticamente certa, com Davi Alcolumbre liderando o partido para o próximo biênio.
Essa reorganização de forças antecipa uma competição intensa por espaço político, onde o centro-direita busca assegurar seu poder e influência para as eleições de 2026.