Em meio ao nervosismo dos mercados financeiros e à alta do dólar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reacendeu um antigo embate político nesta sexta-feira (1º), trazendo à tona uma publicação de Simone Tebet, atual ministra do Planejamento e Orçamento do governo Lula. O post, feito em junho de 2022, quando Tebet ainda era senadora e disputava a Presidência da República pelo MDB, mencionava a moeda americana acima de R$ 5, criticando a falta de segurança jurídica para investidores durante o governo Bolsonaro.
Naquela época, Tebet, que terminou a eleição presidencial em terceiro lugar, uniu-se ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A declaração dela foi agora utilizada por Bolsonaro para insinuar uma incoerência nas críticas: “Tudo é relativo nesta democracia inabalável”, comentou ele.
Nesta sexta-feira, o dólar à vista abriu em alta e chegou a R$ 5,87, sua máxima do dia, refletindo as preocupações do mercado com a falta de clareza em relação às medidas de ajuste fiscal que o governo deve anunciar em breve.
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Alta do dólar: causas e perspectivas
Desde o início da semana, a taxa de câmbio tem seguido em alta devido à demora na divulgação de medidas de revisão de gastos públicos pelo governo federal. Esse atraso vem gerando um ambiente de incerteza, que pressiona o dólar e eleva a tensão no mercado financeiro, ao lado de outros indicadores econômicos que também impactam a taxa cambial.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu a ansiedade do mercado e defendeu a necessidade de prudência na formulação das medidas. Em declaração dada na quarta-feira (30/10), Haddad comparou o atual cenário ao do ano passado, quando o novo arcabouço fiscal trouxe estabilidade. Ele expressou expectativa de que a situação se normalize após o anúncio das propostas.
“Entendo a inquietação, faz parte. O mundo está nervoso por causa das eleições nos Estados Unidos, tem desaceleração na China, commodities estão instáveis. Há muitos fatores compondo esse cenário”, afirmou o ministro.
Na quinta-feira (31/10), o dólar encerrou o mês de outubro em alta de 6,14%, alcançando R$ 5,78 — o maior valor registrado nos últimos três anos. A valorização da moeda americana é um reflexo da falta de definições do governo sobre a política fiscal, somada a fatores externos, que geram apreensão em investidores.