Geral As bets
Pesquisa aponta que 64% dos brasileiros defendem proibição das apostas esportivas online
Estudo do Datafolha mostra maior rejeição entre mulheres e idosos; caça-níqueis são ainda mais contestados.
23/11/2024 17h25
Por: Redação Fonte: Mais Região
Joédson Alves/Agência Brasil

Quase dois terços dos brasileiros com 18 anos ou mais são favoráveis à proibição das apostas esportivas na internet, conhecidas como bets, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. A rejeição sobe para 78% quando se trata de jogos como os caça-níqueis online, popularmente conhecidos pelo “jogo do tigrinho”.

Conforme o levantamento, que contou com 1.935 entrevistas presenciais em 113 municípios, 27% da população adulta apoia a liberação atual das bets, enquanto 8% não opinaram. A legalidade das apostas é atualmente debatida na Justiça.

Perfil da rejeição

A aversão às apostas online é maior entre as mulheres (68%) do que entre os homens (61%). Já a faixa etária exerce influência na percepção: 37% dos jovens de 18 a 24 anos são contrários à proibição, contra apenas 19% dos entrevistados acima dos 60 anos.

Entre as crenças religiosas, 66% dos evangélicos e 63% dos católicos se opõem às apostas, dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Histórico de regulamentação e impacto social

As apostas esportivas foram legalizadas em dezembro de 2018, no governo Michel Temer, enquanto os caça-níqueis online só foram incluídos no marco regulatório em 2023. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva consolidou a regularização este ano, com a atividade regulamentada começando em janeiro de 2025.

Entretanto, o impacto social preocupa especialistas. O psiquiatra Rodrigo Machado, do Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-Amjo), alerta que a legalização amplia o número de jogadores e aumenta os riscos de vício, especialmente entre os vulneráveis. “A prática pode gerar adoecimento em indivíduos suscetíveis", afirma.

O Pro-Amjo enfrenta alta procura desde agosto, mantendo fila de espera para novos pacientes.

Perdas financeiras e popularidade

Mais da metade dos entrevistados (54%) consideram o jogo um vício, e 30% acreditam que seja perda de dinheiro. Apenas 15% têm uma visão positiva, apontando a prática como diversão (9%), fonte de renda (3%) ou investimento financeiro (2%).

Apesar do crescimento da atenção às bets, jogos como loterias da Caixa (29%) e o jogo do bicho (8%) ainda são mais populares. A modalidade de caça-níqueis virtuais é a menos praticada, com apenas 4% de adesão.

O gasto médio em apostas esportivas caiu de R$ 268 para R$ 214, e 59% dos apostadores relataram mais perdas do que ganhos.

Disputa jurídica

A regulamentação está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). A Confederação Nacional do Comércio (CNC) argumenta que os jogos ameaçam a saúde pública e a economia popular. O governo, por meio da Advocacia-Geral da União, reconheceu os riscos sociais e financeiros da atividade, admitindo a possibilidade de reavaliar a constitucionalidade da lei caso as medidas protetivas sejam ineficazes.

O tema será analisado pelo STF em 2025, conforme o ministro Luiz Fux. Enquanto isso, a legalidade e os impactos sociais das apostas seguem em debate no Brasil.