Geral Lei Aldir Blanc
Governo Lula decide rever repasses para cultura e corta R$ 1,3 bilhão em 2024
Mudança no orçamento cultural busca maior eficiência na execução de recursos já repassados aos estados e municípios.
23/11/2024 18h07
Por: Redação Fonte: Mais Região com Folhapress
Reprodução/Folha de S. Paulo

O governo federal anunciou um corte de R$ 1,3 bilhão nos repasses previstos para a Lei Aldir Blanc em 2024, como parte do pacote de contenção de gastos liderado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A decisão foi tomada após o diagnóstico de que, dos R$ 3 bilhões transferidos para estados e municípios em 2023, apenas uma parcela foi efetivamente utilizada.

A medida, que altera a dinâmica de transferência dos recursos, foi oficializada por meio de uma Medida Provisória (MP) que mantém o total de R$ 15 bilhões previstos pela Lei Aldir Blanc para o fomento à cultura entre 2023 e 2027. No entanto, a nova redação da lei estabelece que os repasses anuais serão de "até" R$ 3 bilhões, permitindo que os valores sejam ajustados com base na execução das políticas culturais nos estados e municípios.

Com o corte, o governo busca garantir maior eficiência no uso dos recursos e evitar repasses a projetos que não tenham apresentado execução plena. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida não elimina a obrigação do governo federal de promover o fomento cultural, mas ajusta a distribuição conforme as necessidades e capacidades locais de implementação.

A Lei Aldir Blanc, criada em resposta à crise do setor cultural durante a pandemia de COVID-19, tornou-se um marco para o financiamento de projetos artísticos e culturais em todo o país. Contudo, a baixa execução dos recursos repassados em 2023 levantou questionamentos sobre a capacidade de gestão e aplicação por parte de estados e municípios.

Organizações culturais e representantes do setor têm reagido à decisão com preocupação, apontando o risco de descontinuidade em projetos culturais importantes. Por outro lado, o governo argumenta que a medida permitirá maior controle e transparência no uso dos recursos públicos, fortalecendo a eficácia da política cultural a longo prazo.

O debate sobre a medida promete ganhar força nos próximos meses, com impactos esperados no planejamento das ações culturais para 2024 e nos desafios de governança entre os diferentes entes federativos.