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Pojuca: Tragédia do ?trem da morte? completa 30 anos

Exposição retrata personagens da tragédia. Ela começou no dia 31 de agosto, exatamente às 20h20, horário da primeira explosão.

02/09/2013 16h57
Por: Redação
Do Jornal Mais Região O trem descarrilado, a gasolina que vazava do vagão. O Sr. Pedro, que se escondera em casa para não se abrigar no ginásio junto aos vizinhos, assistia à novela. Em uma casa próxima, Dona Leninha, encharcada de gasolina depois de passar o dia todo carregando vários litros do combustível, resolve fazer um café. Às 20h20, acontece a primeira explosão. Jacynival Pena, 78 anos, lembra-se de todos os detalhes. Nascido em Pojuca, ele foi vereador da cidade por 20 anos, e na época era líder de governo. ?De minha casa eu vi o movimento e procurei saber?, disse. Ele conta que participou de todos os momentos da tragédia, que no dia 31 de agosto completou 30 anos. Segundo Seu Niva, como é conhecido na cidade, o trem descarrilou no início da manhã, às 7h, e diversas pessoas foram se aglomerando em torno dos três vagões que levavam mais de 120 mil litros de combustível. ?O ferroviário, para esvaziar o tanque grande, começou a dar gasolina?, contou. ?Passou o dia todo, não veio ninguém providenciar nada. Era para ter isolado logo, chamado polícia muita?, acrescentou. Naquela noite do ano de 1983, centenas de pessoas ficaram feridas e outras dezenas morreram queimadas. ?Pegamos os corpos e botamos tudo ali em frente ao cemitério?, conta Seu Niva, enquanto relembra as dificuldades para reconhecer os corpos carbonizados.  ?Teve um que ninguém reconhecia. Quando pegou a carteira no bolso, encontrou a identidade dele, que não queimou, e o meu número de vereador?, recorda. A cena dos corpos estendidos em frente ao cemitério, localizado a poucos metros da linha de trem, na Travessa Juracy Magalhães, foi vista nacionalmente. Emissoras de televisão, jornais e revistas fizeram a cobertura da tragédia. Na época, eles não sabiam o que teria causado a primeira explosão. Mas Seu Niva afirma que o motivo teria sido o café da Dona Leninha. A reportagem da revista Veja, por sua vez, apresenta diversos fatores que influenciaram na tragédia. A negligencia do então superintendente da Rede Ferroviária Federal na Bahia, Walter Geb Valverde, e do então Ministro dos Transportes, Cloraldino Severo, além do número reduzido de seguranças presentes no local para afastar os curiosos. Segundo a publicação, apenas 15 homens atuaram na operação, entre eles a Polícia Militar de Pojuca, guardas ferroviários e duas brigadas de incêndio da Petrobras. Trinta anos depois, ninguém foi responsabilizado pelo ocorrido.

Homenagem Com o intuito de resgatar esse momento histórico, os artistas pojucanos Rafael de Jesus e Luciano Novaes estão realizando uma exposição que apresenta esculturas feitas de material reciclável. São retratadas as vítimas do acidente de trem, inclusive o Sr. Pedro, sentado em uma cadeira como se ainda estivesse assistindo à sua novela. A exposição começou no dia 31 de agosto, exatamente às 20h20. Ela vai permanecer na Praça A.C.M. durante uma semana e em seguida será apresentada em Alagoinhas. Os artistas ainda têm a intenção de levar a exposição para todas as cidades próximas a Pojuca, principalmente aquelas por onde passou o ?trem da morte?.   Por: Lorena Dias // Fotos: Reprodução /Revista Veja - Edição 783
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