Trinta e oito anos antes. O dia em noite. Trinta e oito anos apos à noite em dia. Hiroshima se repetia loucuras da sacada, crianças desconsoladas e traumatizadas, loucuras da mente desola o universo em formação, incendeiam as estrelas, morte, dor, sorrisos descobertos, ossos calcinados, desprezo, ganância, indecência, necessidade, ignorância, ingenuidade.
Abala a mente da decência, da demência. Acorda papai, acorda! Gritava, sonho, pesadelo, corre ao chuveiro, mãe, filho, pai. Onde esta o filho, a mãe? Socorro mãe! Corpos deformados desfilam ao léu trazendo uma forma de vida macabra aos olhos nus, estavam os zumbis terríveis, maquiagens sobrenaturais e reais saiam dos quintais, ruas, vielas. Piedade! Gritava na piedade, choro, pranto, dor, piedade.
Ná piedade e as lágrimas secarão pelas chamas na piedade, gritos de pranto e terror, sirene e buzina dor e anseio do nada. Senhor, senhor... Minha alma Senhor? Pois em meu corpo a mesma já não está. Mãe onde estás? Por onde andais pai? Sumiu tio, partiu de onde, pra onde não sei dessa vez não sei. Corpos surrealísticos se apresentarão e sussurrarão baixinho em busca de ajuda, labaredas ardentes, chamavam a cinza, o que eram corpos em segundo era pó. Cantava, gritava, gemia.
Piedade Senhor! Todos diziam. Hipocrisia? Não sei. Todos gemiam, ardiam, mentes vazias, malditos doutores, diretores, governadores, vereadores, condutores. Loucura, amor. Ai Senhor! Pegadas da dor, caminhos traçados com sangue, na estrada da dor, solas de pés, testículos, cabelos, peles. Mãe tem fé! Membros, roupas e corpos são detalhes macabros dessa cidade.
Guiados pelo odor, moscas e urubus que se deslocam aos nus para mais uma refeição, hipócritas malditos são vocês políticos que chorão a dor no palco do horror, com o falso amor e as noites descansam em paz, em sua mansão, sonharão com as próximas eleições. A todas as famílias de Pojuca vítima desses incompetentes vem pedir permissão e desculpas por estar retratado algo que não é para ser lembrado, mais que também não pode ser esquecidos, passaram-se 30 anos e nenhuns culpados foram punidos, porque não tiveram culpados, os culpados foram punidos pela falta de responsabilidades das autoridades.
Hoje faz 30 anos, comovido e traumatizado com o ocorrido, venho retratar através da arte essa história que muitas famílias foram vitimas. Muitos me perguntarão por que lembra uma história tão triste? Bom primeiro lugar o nome Via Pietá, via significa Rua e Pietá significa piedade, ou seja, Rua da Piedade. A exposição, ela traz a história junto com a Arte e a sustentabilidade, onde revelamos a história usando a arte e reciclamos, já que todos material da exposição foram feitos com material reciclável, foram impedidos de ir para natureza mais 600 quilos de papel, mais de 2.000 garrafas pets, arames e isopores que agride e poluem o meio ambiente. Sim! Querendo ou não essa mancha não tem como apagar da historia da cidade, o que eu quero outra vez da exposição, quero que o monumento seja erguido no local do acidente, para que toda as vitimas sejam lembradas e para que toda geração venham saber que naquele local em 31 de agosto de 1983, foram ceifadas várias vidas, por causa da incompetência dos governantes. A exposição também vem através da Organização Cultural Pojucana de Arte, o OCUPA com o abaixo assinado para que seja construído no prédio da antiga estação da Leste, que se encontra fechado e abandonado, um Museu Via Pietá, para que essa exposição seja exposta permanentemente para que todos vejam o relato e a triste história causada pela incompetência dos nossos governantes. Peço mais uma vez desculpas aos familiares e principalmente a todas as mães que perderão seus filhos. Que o Senhor Jeová Deus em nome do seu filho amado senhor Jesus Cristo nos abençoe.