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Café tem alta de 80,2% em 12 meses e lidera ranking de inflação no Brasil
Produto registra a maior inflação desde o Plano Real; clima extremo, custos logísticos e aumento do consumo global impulsionam preços
13/05/2025 08h20
Por: Keila Abreu Fonte: Mais Região
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O café moído registrou um aumento de 80,2% nos últimos 12 meses, segundo dados do IBGE, configurando a maior alta já registrada para o produto desde a criação do Plano Real, em 1994. A disparada no preço colocou o café como o item com maior inflação entre os 377 que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Somente no mês de abril, o café teve um aumento de 4,48%, após uma alta de 8,14% em março. Essa elevação constante é resultado de uma combinação de fatores climáticos, logísticos e de mercado que impactaram fortemente a produção e distribuição da commodity.

Entre os principais motivos estão as condições climáticas adversas, como secas, geadas e ondas de calor que reduziram a produtividade das lavouras no Brasil. O estresse climático em 2024 fez as plantas abortarem os frutos antes do tempo, agravando a escassez.

A crise, no entanto, não é exclusiva do Brasil. O Vietnã, segundo maior produtor de café do mundo, também enfrentou uma quebra de safra, reduzindo ainda mais a oferta global. Para piorar, a instabilidade no Oriente Médio encareceu o frete internacional, elevando os custos logísticos.

Outro fator que pressiona os preços é o aumento no consumo, especialmente na China. O país asiático subiu da 20ª para a 6ª posição entre os maiores compradores de café brasileiro, movimentando o mercado internacional.

Apesar de uma estimativa de safra de 55,7 milhões de sacas em 2025 — um aumento de 2,7% em relação a 2024 — o Brasil ainda está distante do recorde de 63,1 milhões colhidas em 2020. Ainda assim, o país se mantém como o maior produtor e exportador de café do mundo, respondendo por quase 40% da cadeia global. A cada três xícaras de café consumidas no planeta, pelo menos uma é de origem brasileira.