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Morre Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos do mundo, aos 81 anos
Artista vivia em Paris, na França, e sofria com as consequências de uma malária adquirida nos anos 1990.
24/05/2025 00h57
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, em Paris, na França. A causa da morte foi leucemia, segundo confirmação da família. Reconhecido mundialmente por seu olhar sensível sobre causas sociais e ambientais, Salgado construiu uma obra marcada por imagens em preto e branco que atravessam o jornalismo, a arte e o ativismo.

Economista por formação, Salgado começou a fotografar nos anos 1970 e percorreu mais de 120 países ao longo de sua carreira. Trabalhou para grandes agências internacionais, como a Sygma, Gamma e Magnum, antes de fundar sua própria, a Amazonas Images. Tornou-se conhecido por projetos fotográficos de longo prazo, como Trabalhadores, Êxodos e Gênesis, que documentam desde as condições de trabalho em regiões remotas até paisagens intocadas do planeta.

“Fotografia para mim é uma forma de vida. Eu fotografei com a minha ideologia, com a minha cultura brasileira. É necessário um tempo para fotografar”, afirmou Salgado em entrevista à TV Brasil, em 2014.

Sua abordagem profundamente humanista revelou populações marginalizadas, movimentos migratórios e as consequências sociais das transformações econômicas e climáticas no mundo. Em suas palavras, o preto e branco lhe permitia abstrair a realidade e concentrar-se na emoção e na forma.

“Quando eu transformava aquilo em gama de cinza, eu me permitia concentrar onde eu queria”, disse.

Nos últimos anos, enfrentava problemas de saúde provocados por uma malária adquirida nos anos 1990, durante uma cobertura na Indonésia. Em entrevista ao The Guardian, em 2024, revelou que as sequelas o levaram a se afastar gradualmente da fotografia. Apesar disso, planejava apresentar uma nova exposição durante a COP30, prevista para novembro deste ano, em Belém (PA), tendo a Amazônia, tema recorrente em sua obra, como foco central.

Trajetória e legado
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, interior de Minas Gerais. Era formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade de Paris. Nos anos 1970, abandonou a carreira como economista para se dedicar integralmente à fotografia.

Ao lado da esposa, a pianista e curadora Lélia Deluiz Wanick Salgado, com quem teve dois filhos, fundou o Instituto Terra, organização dedicada ao reflorestamento da Mata Atlântica em sua cidade natal. A instituição já plantou mais de três milhões de árvores e é considerada um exemplo internacional de recuperação ambiental.

Em nota, o Instituto destacou a importância do fotógrafo: “Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora.”

Reconhecimento internacional
Ao longo da carreira, Salgado recebeu prêmios como o World Press Photo, o Prêmio Unesco para Iniciativas Bem-Sucedidas, o Prêmio Jabuti de Literatura pelo livro Terra, entre outros. Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas Artes da França, integrando a seção de Fotografia da instituição. Também recebeu títulos de Doutor Honoris Causa, incluindo pela UFES.

Sua relação com o Brasil e o mundo foi registrada também no documentário O Sal da Terra (2014), dirigido por Wim Wenders e por seu filho Juliano Salgado, indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015.

Sebastião Salgado deixa um legado de mais de cinco décadas de trabalho, marcado por uma luta incansável por um mundo mais justo, humano e sustentável — registrado sempre por meio de sua câmera, em tons de cinza, mas com enorme profundidade e cor social.