Juliana Marins permaneceu viva por aproximadamente 32 horas após a primeira queda na trilha do Monte Rinjani, na Indonésia. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (11), durante uma entrevista coletiva concedida pela irmã da vítima, Mariana Marins, e pelos profissionais que participaram da análise pericial e da repatriação do corpo ao Brasil. O perito da Polícia Civil, Reginaldo Franklin, explicou que a estimativa foi possível a partir da presença de larvas no couro cabeludo da jovem, associada ao horário local.
Juliana caiu por volta das 17h do dia 20 de junho. A primeira equipe de resgate foi acionada pelo parque cerca de 2h23 depois do acidente, e deixou a base apenas 4 horas após a queda. De acordo com Mariana, esse intervalo foi determinante para o desfecho do caso. "Dezoito horas depois, a equipe do Basarnas conseguiu descer 150 metros de rapel, mas Juliana estava mais abaixo na montanha, a 220 metros", detalhou.
A análise feita por peritos indica que Juliana escorregou cerca de 60 metros na primeira queda, percorrendo um total de 220 metros até atingir um paredão rochoso. Posteriormente, ela teria sofrido uma nova queda, estimada em mais 60 metros, momento em que sofreu ferimentos fatais. Ainda assim, segundo a perícia, permaneceu viva por aproximadamente 15 minutos após o impacto final, mas sem condições de reagir ou se locomover.
De acordo com o perito Nelson Massini, que também acompanhou a apuração, Juliana pode ter lesionado a coxa ainda na primeira queda. Ele descreveu a morte como "agônica, hemorrágica e sofrida". As declarações foram sustentadas pelos dados da segunda autópsia, realizada no Brasil.
O laudo apontou que a causa da morte foi hemorragia interna provocada por múltiplos traumas, compatíveis com impacto de alta energia. Havia fraturas no fêmur, na pelve e nas costelas — uma delas perfurando a pleura do pulmão, o que causou pneumotórax e agravou o sangramento interno. Lesões no crânio, escoriações por arrasto e marcas compatíveis com deslizamento também foram identificadas. "Ela caiu de costas em parte do trajeto, mas no último impacto atingiu o solo de frente", explicou Reginaldo Franklin.
O corpo chegou ao Brasil já embalsamado, o que comprometeu algumas análises mais detalhadas, como o horário preciso da morte. Ainda assim, os especialistas conseguiram conservar os órgãos e estruturas externas para avaliar a extensão dos traumas.
Durante a entrevista, Mariana relembrou que o último registro visual de Juliana viva foi feito às 6h59 da manhã do dia 21 (horário local), por um drone. Cerca de uma hora depois, uma turista espanhola a viu na trilha. Nesse momento, Juliana ainda conseguiu gritar por socorro. A Defesa Civil da Indonésia só chegou ao local às 19h50, após a segunda queda já ter ocorrido.
Para Mariana, o resgate tardio comprometeu a possibilidade de salvamento. "Agora que temos o laudo, vamos avaliar o que será feito. Há muitos pontos que precisam ser considerados, como o atraso na resposta e a falta de equipamentos adequados", afirmou.
Ela também destacou que outros acidentes já ocorreram no local, embora sem a mesma repercussão. Juliana, que era publicitária, foi encontrada a cerca de 650 metros abaixo da trilha, em uma região de difícil acesso e sem estrutura de resgate adequada, segundo a família.