A Bahia apresentou, em 2024, o pior desempenho entre todos os estados brasileiros segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA), com apenas 36% das crianças do 2º ano do ensino fundamental consideradas alfabetizadas. O dado foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira (11) e acendeu um alerta sobre a situação da educação básica no estado.
O resultado baiano não só está 23 pontos percentuais abaixo da média nacional (59,2%), como também representa um desempenho inferior ao de todos os outros estados do Nordeste, região historicamente marcada por desigualdades educacionais. Para efeito de comparação, o Ceará lidera o ranking nacional, com 85,3% das crianças alfabetizadas, seguido por Goiás (72,7%) e Minas Gerais (72,1%).
Entre os nove estados nordestinos, apenas a Bahia ficou abaixo dos 40%. Outros estados da região, como Piauí (59,8%), Paraíba (56%) e até mesmo Sergipe (38,4%), superaram o desempenho baiano, que caiu em relação ao ano anterior — em 2023, o índice já era baixo, com 36,8%.
Das 26 unidades da federação, 11 atingiram a meta projetada para 2024. Apenas o estado de Roraima não participou do levantamento em 2024.
Segundo ministro da educação Camilo Santana, quatro apenas estados alcançaram o número de 70% a 80% de estudantes alfabetizados.
Foram os seguintes:
O gestor da pasta apontou ainda que oito estados brasileiros têm menos da metade das crianças alfabetizadas:
"É preciso uma mobilização de toda a sociedade, com o envolvimento dos gestores estaduais e municipais", afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, durante coletiva de apresentação dos dados. Segundo ele, os recursos e o apoio técnico já estão sendo direcionados aos estados com piores desempenhos.
O Indicador Criança Alfabetizada avalia a proporção de estudantes alfabetizados no 2º ano, com base em testes padronizados aplicados por todos os estados e validados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O objetivo é garantir que, até 2030, ao menos 80% das crianças estejam alfabetizadas ao final do segundo ano do ensino fundamental.
Para o MEC, estados como a Bahia são considerados prioritários nas ações do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, programa lançado em 2023 com metas progressivas até o fim da década.
Com a divulgação dos resultados, o governo da Bahia ainda não se manifestou oficialmente sobre as medidas que pretende adotar para reverter o cenário. Enquanto isso, a pressão aumenta para que políticas mais efetivas sejam implementadas com urgência, sob o risco de ampliar ainda mais as desigualdades educacionais entre as crianças brasileiras.
De acordo com o MEC, também é prioridade a recuperação da aprendizagem das crianças do 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental afetadas pela pandemia da covid-19.
“A educação precisa estar acima de qualquer questão político-partidária neste país, precisa ser uma política de Estado, não de governo, porque o governo passa em quatro anos. A política de Estado permanece”, afirmou o ministro Camilo Santana.