Passageiros relataram momentos de pânico após a colisão entre o catamarã Morro de São Paulo, da empresa Biotur, e o barco de pesca Lomier, na Baía de Todos-os-Santos. A embarcação transportava 100 pessoas e afundou parcialmente após o impacto. Muitos passageiros se lançaram ao mar ou se agruparam nas partes mais altas do catamarã, enquanto aguardavam socorro. O resgate chegou ao local aproximadamente 40 minutos após o acidente, ocorrido nas proximidades de Cacha Pregos, a cerca de 10 quilômetros da costa da Ilha de Itaparica.
O Morro de São Paulo havia saído da ilha homônima com destino a Salvador, em uma travessia com duração estimada em 2h40. O turista Ryan Franco, natural do Rio de Janeiro, estava com a companheira e o sogro no barco. Ele contou o que viu após a batida. "Eu estava no fundo do barco. Primeiro, ouvimos um estrondo muito alto. Em seguida veio outro estrondo e já vimos o fundo do barco partido. No mar, vimos que o outro barco [de pesca] estava destruído", conta. Minutos após o impacto, a água começou a invadir o catamarã, o que provocou pânico entre os passageiros. Havia crianças e ao menos uma mulher grávida na embarcação.
"A batida aconteceu embaixo de onde eu estava, então o impacto foi bem grande. O barco de pesca bateu no motor do catamarã e partiu em seguida. Muita gente passou mal quando a água começou a entrar no catamarã", completa. Apesar do resgate ter demorado cerca de 40 minutos, Ryan Franco conta que os passageiros foram instruídos a colocar o colete salva-vidas e aguardar o resgate.
Passageiros são resgatados após acidente
A última embarcação que trouxe os passageiros resgatados chegou em terra firme às 16h50. Apesar de estarem em boas condições de saúde, muitos passageiros se emocionaram. Caso do turista francês Cazare Alexander, que também conversou com a reportagem. "O barco encheu de água e muita gente caiu no mar. Eu fiquei durante uma hora com minha família em cima do barco. Estávamos todos com muito medo, mas todo mundo se ajudou", relatou.
Ao final do resgate, o Capitão de Mar e Guerra do 2° Distrito Naval, Flávio Almeida, confirmou que não há registros de feridos graves e nem de desaparecidos. Os dois tripulantes do barco de pesca foram resgatados e passam bem. Entre as pessoas resgatadas estavam crianças e ao menos uma mulher grávida, que foi encaminhada para um hospital particular de Salvador para receber atendimento.
"Todas as pessoas foram resgatadas em boas condições de saúde, mas vão passar por triagem do Samu. Inclusive os pescadores que estavam no barco", disse Flávio Almeida.
A turista Maria Júlia Moutinho contou que enviou uma mensagem para acalmar a mãe, que está no Rio de Janeiro. "Quando tudo aconteceu, eu só consegui pensar na minha mãe e como ela ficaria preocupada quando visse as notícias. Só queria ligar para ela e dizer que estava tudo bem. Foi uma loucura, fiquei muito nervosa. Felizmente deu tudo certo e o resgate chegou", conta a estudante. Ela foi uma das pessoas que ficaram em cima do catamarã e ligou para pedir socorro.
A empresa Biotur é autorizada, segundo a Marinha, a realizar a travessia entre Salvador e Morro de São Paulo. A reportagem procurou a Biotur e a Astramab, mas ainda não houve retorno. O espaço segue aberto.
O acidente
A Capitania dos Portos recebeu a notícia do acidente por volta das 13 horas desta terça-feira (22). Um helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (Graer) foi acionado para a ocorrência ainda no início da tarde. Imagens gravadas pelos militares mostram que os passageiros do catamarã se dividiram em grupos. Alguns se juntaram em um ponto mais alto da embarcação, enquanto outros foram deslocados para botes.
O Plano de Auxílio Mútuo, que mobiliza embarcações navegando nas imediações para colaborar com os esforços de socorro, foi ativado para o acidente. Entre as embarcações utilizadas estão os rebocadores “Piatã” e “Pituba”, que operavam próximos ao local. "Esse caso não foi uma tragédia porque as medidas de segurança foram respeitadas. A ação integrada, feita com a tripulação, fez com que todas as pessoas fossem resgatadas com vida", disse o Coronel Lanusse Andrade, que atuou no resgate.
Um inquérito foi instaurado pela Capitania dos Portos para determinar as causas do acidente. O prazo de conclusão é de 90 dias. Alguns passageiros teriam relatado que, na verdade, o pesqueiro teria colidido na lateral do catamarã.
Durante o resgate, ao menos cinco ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram deslocadas para o Terminal Náutico de Salvador para prestar socorro aos passageiros que chegaram à capital. Uma ala do Hospital Geral do Estado (HGE) foi reservada para receber os feridos.
Veja o que diz a Capitania dos Portos
"A Marinha do Brasil, por intermédio do Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN), informa que, no início da tarde desta terça-feira (22), foi registrado um acidente envolvendo um pesqueiro e o catamarã “Morro de São Paulo”, dedicado ao transporte de passageiros. A colisão ocorreu nas proximidades de Cacha Pregos, na Ilha de Itaparica, região da Baía de Todos-os-Santos.
Assim que tomou conhecimento do fato, o Com2ºDN acionou o Centro de Coordenação do Serviço de Busca e Salvamento Marítimo do Leste (SALVAMAR Leste) e determinou o imediato deslocamento de lanchas e equipes da Capitania dos Portos da Bahia, bem como do Aviso-de-Patrulha “Dourado”, Navio-Patrulha “Guaratuba” e Corveta “Caboclo”, subordinados ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Leste. O objetivo é prestar assistência às embarcações envolvidas e conduzir as ações de busca e resgate.
Paralelamente, foi ativado o Plano de Auxílio Mútuo, que mobiliza embarcações navegando nas imediações para colaborar com os esforços de socorro. Os rebocadores “Piatã” e “Pituba”, que operavam próximos ao local, já prestam apoio no resgate de tripulantes e passageiros.
A operação conta ainda com o apoio integrado do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA), do Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (GRAER), da Praticagem da Bahia e de embarcações civis que atuam na região."