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Dias d'Ávila 12h de audiência

Cristiane Luz é condenada a quase 20 anos de prisão por envenenar o marido em Dias d’Ávila

Julgamento durou cerca de 12 horas e ouviu testemunhas que relataram planos da acusada para matar Mário Sérgio, incluindo uso de facas e até rituais espirituais

08/08/2025 07h47 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Gabriel Seixas Fonte: Anderson de Almeida / Mais Região
Anderson de Almeida/Mais Região
Anderson de Almeida/Mais Região

Cristiane Luz, de 39 anos, foi condenada nesta quinta-feira (7) a 19 anos, 8 meses e 25 dias de prisão pela morte do marido, Mário Sérgio dos Santos, ocorrida em abril de 2024, em Dias d’Ávila. A decisão saiu após uma audiência que durou quase 12 horas e contou com depoimentos de testemunhas que apontaram comportamentos suspeitos, ameaças anteriores e até o desejo de cometer o crime por outros meios. O julgamento foi presidido pela juíza Mariana Spina.

Durante os depoimentos, uma testemunha próxima afirmou que Cristiane cogitou matar Mário a facadas, sem deixar digitais, e simular um suicídio. Também teria procurado uma mãe de santo em Mata de São João para realizar um “trabalho” que o deixasse paraplégico, mas o pedido foi recusado. Em outra ocasião, chegou a comentar que se ele não fosse dela, não seria de mais ninguém, e teria tido uma “revelação” na igreja de que o marido não passaria de dezembro.

Outros relatos deram conta de uma relação marcada por desconfiança, ciúmes e acusações de traição. Uma vizinha afirmou que ouviu gritos e barulhos na noite em que Mário passou mal, e que Cristiane demonstrava frieza diante da situação. Já uma testemunha que ajudou no socorro da vítima descreveu Mário agonizando nu sobre a cama, enquanto Cristiane não demonstrava desespero. O envenenamento foi constatado inicialmente na UPA de Dias d’Ávila e, depois, também no Hospital Português, em Salvador.

No depoimento, Cristiane negou o crime e disse que não sabe do que o marido morreu. Ela afirmou que ele passou mal após retornar para casa e que teria feito um chá para ajudá-lo. Negou ter destruído provas e alegou ter sido coagida pelo delegado durante o inquérito. Chorando, afirmou estar destruída, mas forte pela filha. Apesar da defesa alegar falta de provas, o conjunto dos depoimentos e indícios levou à condenação da ré por homicídio qualificado.

Familiares de Mário Sérgio (foto abaixo) saíram do fórum emocionados e disseram ao Mais Região sentir que a justiça foi feita, embora a dor permaneça. “Ela foi condenada a 19 anos, 11 meses e 25 dias. Eu estou acabada de um ano pra cá”, disse a irmã Jaciara de Jesus. A mãe, Maria de Jesus, afirmou que perdeu “um pedaço” de si, mas se disse satisfeita com a sentença. O irmão, Cesar de Jesus, destacou que a condenação “não traz meu irmão de volta, mas dá um descanso” à família após mais de um ano de sofrimento.

O advogado da família, Thalis Eduardo Bizerra, comemorou o resultado, afirmando que todas as qualificadoras foram reconhecidas pelo júri. O delegado Euvaldo Costa, responsável pela investigação, destacou que Mário morreu agonizando por envenenamento e que só recebeu socorro quando já estava sem sinais vitais. Já o advogado de Cristiane, Pedro Henrique Xavier, reiterou a inocência da cliente, disse que recorreu da decisão e criticou a investigação, que considera tendenciosa.

Confira a reportagem de Anderson de Almeida

 
 
 
 
 
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