A Braskem planeja investir na implantação de um projeto de produção sustentável na Bahia, semelhante ao modelo já em operação no Rio Grande do Sul, que utiliza etanol de cana-de-açúcar para fabricar plástico verde. A iniciativa foi anunciada pelo presidente da companhia, Roberto Ramos, durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre, nesta quinta-feira (7). O Polo Industrial de Camaçari, considerado estratégico para a empresa, segue como prioridade, mesmo diante do que Ramos classificou como “o momento mais desafiador da história da indústria petroquímica mundial”.
O projeto prevê a utilização de matérias-primas renováveis, como cana, milho e agave – esta última pesquisada no interior da Bahia pelo projeto Brave, desenvolvido pela Shell, Unicamp e Senai Cimatec. Ramos afirmou que a decisão já está tomada: o investimento verde será no Brasil, com alta probabilidade de instalação em território baiano.
Atualmente, a Braskem mantém duas centrais petroquímicas em operação no estado. A planta 1, mais antiga, poderá passar por adaptações para operar com diferentes insumos, inclusive gás. Já a planta 2 deve ampliar a participação de gás liquefeito na mistura com nafta, chegando a 30%. O executivo destacou que a otimização de processos e a busca por fontes energéticas mais baratas são medidas adotadas para enfrentar o ciclo de baixa no mercado internacional, marcado pelo excesso de oferta e queda nos preços globais.
Outro fator que pode influenciar os planos é a implementação do programa Presiq, voltado a fortalecer a indústria química brasileira com incentivos fiscais, estímulo à inovação e transição para produção de baixo carbono. Ramos reforçou que a venda da participação da Novonor na Braskem, em negociação com o empresário Nelson Tanure, não afetará os projetos em curso, já que a Petrobras também é sócia relevante.
No segundo trimestre, a companhia registrou EBITDA recorrente de US$ 74 milhões (R$ 427 milhões), queda de 67% em relação ao trimestre anterior, e geração de caixa operacional negativa em R$ 175 milhões. Segundo Ramos, o cenário reforça a necessidade de manter a solidez financeira e desenvolver ações que garantam a competitividade e a continuidade das operações no país.