Apesar de cães e gatos estarem presentes em milhões de lares brasileiros, a vacinação desses animais ainda é negligenciada por grande parte dos tutores. Dados da Comissão de Animais de Companhia do Sindan (Comac), divulgados em 2024, mostram que cerca de 85% da população não mantém o calendário vacinal dos pets em dia, aumentando o risco de surtos de doenças graves, algumas transmissíveis aos humanos.
Lorena Sampaio, médica veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UNIFACS, campus Santa Mônica, reforça que a vacinação é essencial para proteger cães e gatos de enfermidades que podem levar à morte ou deixar sequelas. “A imunização fortalece o sistema imunológico e ajuda a evitar surtos de doenças infecciosas em locais com grande circulação de animais, como parques, ruas, praças, clínicas e pet shops”, explica.
Entre as principais doenças preveníveis em cães estão a cinomose e a parvovirose, enquanto em gatos a vacinação adequada evita rinotraqueíte, calicivirose, panleucopenia e leucemia viral felina. A especialista também enfatiza a importância de reforços anuais contra raiva e leptospirose, doenças zoonóticas que afetam tanto animais quanto seres humanos.
Antes de vacinar, é recomendada consulta a um médico veterinário para avaliação individual do pet, considerando idade, histórico de saúde e estilo de vida. Animais com febre, vômito, diarreia ou infestação por parasitas não devem receber vacinas até a recuperação, alerta Lorena Sampaio.
Entre as vacinas indicadas para cães estão as múltiplas (V8, V10 ou V12), que protegem contra diversas doenças, e outras específicas, como gripe canina, giárdia e antirrábica. Para gatos, as vacinas múltiplas (tríplice, quádrupla ou quíntupla) e a antirrábica são essenciais. A aplicação ocorre geralmente por via subcutânea, conforme recomendação do profissional.
Além de proteger os pets, manter a vacinação em dia contribui para a saúde pública. “Doenças como raiva e leptospirose são zoonoses. Vacinar seus animais cria uma barreira de proteção, reduzindo o risco de contágio para humanos e outros animais”, reforça a veterinária.
A atualização do protocolo vacinal é, portanto, uma medida crucial não apenas para a saúde dos animais, mas também para a prevenção de doenças na população humana, reforçando a responsabilidade do tutor na proteção de toda a comunidade.