Geral Levantamento
Bahia registra mais de 14 mil casos de violência contra mulheres em 2025
De janeiro a agosto deste ano, o estado registrou 14.202 violações de direitos das mulheres
01/09/2025 08h37
Por: Luciano Bandeiras Fonte: Mais Região
Arquivo Agência Brasil

A violência contra a mulher continua sendo uma realidade preocupante na Bahia em 2025. Levantamentos recentes de órgãos oficiais revelam que, embora haja redução em alguns índices, o número de casos permanece elevado e a subnotificação ainda limita a real dimensão do problema.

De janeiro a agosto deste ano, o estado registrou 14.202 violações de direitos das mulheres, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Contudo, apenas 1.795 denúncias foram efetivamente formalizadas, revelando que a maioria das vítimas ainda não busca apoio junto às autoridades. Em Salvador, foram 5.895 ocorrências, das quais somente 677 se transformaram em denúncias.

O recorte mais grave envolve os feminicídios. Entre janeiro e março de 2025, a Bahia contabilizou 24 assassinatos de mulheres motivados por gênero, sendo fevereiro o mês mais violento, com 11 casos. Em 2024, foram registrados 106 feminicídios, número já inferior ao de 2023 (115 casos), mas que ainda expõe a persistência da violência letal contra mulheres.

Outro dado que chama atenção é o crescimento na procura por atendimento. O Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública do Estado da Bahia, realizou 3.411 atendimentos até 30 de julho de 2025, um aumento superior a 50% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo período, foram solicitadas 396 medidas protetivas de urgência, recurso fundamental para garantir a segurança das vítimas.

Apesar da redução pontual observada em alguns indicadores, como aponta também a Rede de Observatórios de Segurança, a subnotificação segue sendo o maior desafio. O número de ocorrências é muito superior ao de denúncias formalizadas, o que revela a barreira enfrentada por milhares de mulheres no acesso à justiça e à proteção.

Autoridades reforçam a importância de utilizar os canais de denúncia, como o Ligue 180, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e a própria Defensoria Pública, que oferecem acolhimento e medidas legais de proteção.