A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo DIEESE em parceria com a Conab, mostrou que o preço dos produtos essenciais registrou variação negativa em 24 das 27 capitais brasileiras no mês de agosto. Apesar da queda geral, a Bahia se manteve entre os estados com maior custo da cesta básica no Norte e Nordeste.
Em Salvador, o valor médio apurado foi de R$ 616,23, acima de capitais vizinhas como Aracaju (R$ 558,16), Maceió (R$ 596,23) e Natal (R$ 622,00). Entre as capitais nordestinas, apenas Recife apresentou aumento mais expressivo na variação anual, acumulando 18,01% de alta em comparação a agosto de 2024.
No cenário nacional, São Paulo segue liderando o ranking das cestas mais caras, com custo de R$ 850,84, seguido por Florianópolis (R$ 823,11), Porto Alegre (R$ 811,14) e Rio de Janeiro (R$ 801,34).
Mesmo com o recuo registrado em agosto, o levantamento mostra que, em um ano, todas as 17 capitais analisadas pelo histórico da pesquisa tiveram aumento no preço da cesta. A menor variação ocorreu em Belém (3,37%), enquanto a maior foi em Recife.
Outro dado que chama atenção é o impacto do custo da cesta no orçamento familiar. Segundo o DIEESE, o trabalhador brasileiro precisou, em média, dedicar 101 horas e 31 minutos do salário mínimo para adquirir os alimentos essenciais no último mês. Considerando a cesta mais cara (São Paulo), o salário mínimo necessário em agosto deveria ser de R$ 7.147,91, o equivalente a 4,71 vezes o valor atual, fixado em R$ 1.518,00.
Balanço geral
Em agosto de 2025, Salvador teve uma das menores cestas do Nordeste (R$ 616,23), num mês em que 24 das 27 capitais registraram queda frente a julho; ainda assim, o acumulado de 2025 mostra alta de 5,54% em Salvador – pressão que pesa mais sobre as famílias de menor renda. Esses números vêm do acompanhamento mensal feito por CONAB e DIEESE desde 2025 (parceria oficial), e situam a capital baiana abaixo de grandes centros como São Paulo, mas num patamar que continua comprometendo quase metade do salário mínimo líquido dos trabalhadores nas capitais, segundo a mesma divulgação.
Do lado da segurança alimentar, o retrato federal mais recente do IBGE (PNAD Contínua 2023, com a EBIA) mostra que o Nordeste segue com piores indicadores que o Sudeste e Sul: 61,2% dos domicílios nordestinos estavam em segurança alimentar (logo, 38,8% com algum grau de insegurança), e a insegurança grave atingia 6,2%, patamar superior à média nacional de 4,1%.