Política em Foco Política
Pressão nas redes leva deputados a recuarem sobre voto na PEC da Blindagem
Parlamentares de esquerda e direita pediram desculpas e alegaram ter sofrido pressões políticas para apoiar a proposta
20/09/2025 14h58
Por: Luana Velloso
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A repercussão negativa da aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados, ocorrida na última terça-feira (16), levou parlamentares de diferentes partidos a reverem suas posições e até a se desculparem publicamente com eleitores. O movimento contrário à proposta ganhou força nas redes sociais, mobilizando desde artistas e lideranças políticas até entidades da sociedade civil, o que resultou em forte constrangimento para deputados de esquerda e direita que inicialmente apoiaram o texto.

Entre os que recuaram está a deputada Silvye Alves (União-GO), que anunciou sua saída do partido e reconheceu ter cedido a pressões internas. Em vídeo publicado no Instagram, relatou que sofreu ameaças de “pessoas influentes” após votar contra o texto em um primeiro momento. “Eu fui covarde, cedi à pressão e mudei o voto”, afirmou, pedindo desculpas aos eleitores.

Outro que admitiu arrependimento foi o deputado Merlong Solano (PT-PI). Ele justificou o voto dizendo que buscava viabilizar pautas de interesse popular, como a isenção do Imposto de Renda e a taxação dos super-ricos. Porém, após a ruptura de um acordo político, reconheceu que a estratégia falhou. Junto com Pedro Campos (PSB-PE), protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um mandado de segurança pedindo a anulação da votação.

Pedro Campos, irmão do prefeito de Recife, também se explicou nas redes. Disse que o campo progressista tentou reduzir os impactos da proposta e evitar a votação da anistia, mas admitiu que o resultado foi uma derrota dupla. “Tenho a humildade de reconhecer que não escolhemos o melhor caminho”, declarou.

Parlamentares como Thiago de Joaldo (PP-SE) também revisaram o posicionamento após críticas. Segundo ele, a análise da imprensa e de especialistas o fez perceber falhas. “Reconheço que falhei, peço desculpas e trabalharei para corrigir”, disse.

Um levantamento da consultoria Bites apontou que a PEC da Blindagem gerou quase 1,6 milhão de menções nas redes, especialmente na plataforma X, com predominância de perfis progressistas. A pressão digital, avalia a empresa, ajudou a fortalecer a oposição ao texto no Senado, inclusive com a adesão de parlamentares da direita não alinhados ao governo.

A mobilização também teve apoio da classe artística. A cantora Anitta e o músico Caetano Veloso criticaram a PEC, que chegou a ser apelidada de “PEC da Bandidagem”. Para especialistas, ainda que restrita a determinados segmentos, a reação representou uma vitória simbólica da esquerda nas redes.