O empresário Marcelo Batista da Silva, dono de um ferro-velho no bairro de Pirajá, em Salvador, foi novamente preso neste sábado (4) por tentativa de homicídio contra três pessoas. A nova ordem de prisão, expedida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), foi cumprida por equipes da Polícia Civil no distrito de Jauá, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Marcelo é investigado por uma série de crimes, entre eles o duplo homicídio dos jovens Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento e Matusalém Silva Muniz, funcionários do ferro-velho, desaparecidos desde novembro de 2024. A prisão deste sábado, no entanto, está relacionada a outro processo, que apura uma tentativa de homicídio contra três pessoas — duas delas também ex-funcionárias da empresa —, que foram alvo de disparos de arma de fogo, mas conseguiram escapar.
O empresário foi localizado em casa, durante a madrugada, e levado para o Complexo de Delegacias da Polícia Civil, em Itapuã. Ele deve passar por audiência de custódia nos próximos dias.
Marcelo já havia sido preso em 26 de agosto deste ano, quando foi encontrado escondido embaixo de um armário. Na ocasião, foi liberado em 11 de setembro mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. O novo mandado reverte essa decisão, após o descumprimento das condições impostas pela Justiça.
Segundo os advogados de defesa, a prisão foi decretada porque Marcelo deixou de cumprir obrigações como a proibição de sair do estado e o comparecimento mensal ao fórum.
Relembre o caso
Paulo Daniel, de 24 anos, e Matusalém, de 25, desapareceram em 4 de novembro de 2024, após saírem para trabalhar no ferro-velho. Segundo a Polícia Civil, os dois foram mortos, embora os corpos ainda não tenham sido encontrados. Em março de 2025, o Ministério Público da Bahia denunciou Marcelo e o soldado da Polícia Militar Josué Xavier Pereira pelos homicídios, acusando-os de agir por motivo torpe, de forma cruel e com ocultação de cadáveres.
Desde então, Marcelo teve a prisão preventiva decretada e revogada mais de uma vez. Em junho, apresentou-se voluntariamente à Justiça após dois meses foragido e recebeu liberdade provisória mediante medidas cautelares.
Além do duplo homicídio e da tentativa contra outras três pessoas, Marcelo responde a processos por violência doméstica, suspeita de ligação com milícia e facção criminosa, e nove ações trabalhistas em curso. Na Justiça do Trabalho, outras 60 já foram arquivadas, envolvendo denúncias de atraso de salários, horas extras não pagas, assédio sexual e tortura.
As investigações continuam em sigilo. A defesa do empresário não apresentou justificativa para o descumprimento das medidas cautelares.