O advogado e ativista Léo Mineiro quebrou o silêncio após ser alvo de ofensas racistas e misóginas atribuídas ao presidente da Câmara de Dias d’Ávila, Júnior do Requeijão (PSDB). Em entrevista a César Silva, ele afirmou que o parlamentar cometeu crimes de injúria racial, machismo e misoginia, e que já protocolou uma queixa-crime contra o vereador.
“Ele é misógino, racista e machista. As próprias falas dele o tornam réu confesso. Quando ele se refere a mim com palavras como ‘negro fedido’ e ‘raciado de gambá’, ele comete crime previsto em lei”, declarou Léo Mineiro.
O advogado citou o artigo 140, parágrafo III, do Código Penal e a Lei 14.532/23, que trata da injúria racial como crime imprescritível e inafiançável, com pena agravada quando o autor é servidor público. “Ele pisoteou a história da própria família. Um presidente de Câmara, que deveria dar exemplo, praticou crime contra todos os negros”, disse.
Léo afirmou que espera uma postura firme do Legislativo municipal:
“Espero que os eleitores cobrem dos vereadores uma sessão extraordinária. Ele deve se explicar, mas não há como escapar da punição prevista em lei.”
Durante a entrevista, o advogado ressaltou que, embora tenha sido criado para enfrentar o racismo com firmeza, sentiu-se abalado pela gravidade das ofensas. “Não é vitimismo, é um sentimento de indignação. O ser humano deve ser julgado por seus atos, não pela cor da pele”, afirmou.
Ele destacou ainda que o caso não atinge apenas sua honra, mas ofende toda a comunidade negra e as mulheres também citadas nas falas de Júnior. “Eu falo aqui em nome de todos os negros e de todas as mulheres que foram discriminadas. Ninguém está acima da lei. O que leva à impunidade é achar que nada vai acontecer mas vai”, concluiu.
Segundo Léo, o processo já foi ajuizado e seguirá até as instâncias superiores. Ele também se colocou à disposição para apoiar outras vítimas de discriminação racial no município.