Dias d'Ávila Caso de Polícia
Após ataques, empresária presta queixa contra o presidente da Câmara de Dias d’Ávila
Irmã do vereador Júnior do Requeijão (PSDB) registrou ocorrência na delegacia nesta terça (14) acompanhada de Léo Mineiro, também alvo dos áudios. Marileide Moraes apresenta provas autenticadas contra o vereador, incluindo áudios e mensagens ofensivas
14/10/2025 21h23 Atualizada há 9 meses atrás
Por: Anderson Almeida Fonte: Mais Região
Keila Abreu

A empresária Marileide Moraes prestou queixa contra o irmão, o presidente da Câmara de Dias d’Ávila, Júnior do Requeijão (PSDB), na tarde desta terça-feira (14), na 25ª Delegacia Territorial do município. Ela chegou acompanhada do companheiro, o advogado Léo Mineiro, e do advogado que representa o casal. No mesmo momento em que Marileide prestava depoimento, Júnior discursava na tribuna da Câmara Municipal.

Ela entregou áudios, mensagens e capturas de tela atribuídas ao vereador, todos autenticados em cartório, e que, segundo a denúncia, contêm ofensas de cunho racista, misógino e moralmente agressivo.

O material foi registrado em ata notarial no Cartório Sales Azevedo e envolve mensagens enviadas via WhatsApp no dia 7 de outubro à irmã Marileide e ao cunhado, Léo Mineiro, ex-candidato a vereador. Juridicamente, os atos podem configurar injúria racial, nos termos da Lei nº 14.532/2023, além de violência moral e psicológica, conforme previsto na Lei Maria da Penha.

“Até o momento do acontecimento eu fiquei resiliente em não dar entrevistas, até porque eu tinha que cuidar primeiro do meu esposo, que ficou fortemente abalado, por se tratar de uma injúria racial. E ontem eu recebi uma intimação, que fizeram aqui uma denúncia, um B.O anônimo, e eu vim responder”, disse Marileide em entrevista ao Portal Mais Região.

A empresária relatou ainda que as agressões não seriam recentes. “Júnior me persegue desde a morte do meu irmão Bosco. Tudo o que ele fala é mentira, irei processá-lo civilmente e irei processar também as minhas irmãs civilmente, porque desde que meu irmão faleceu que elas me perseguem.” 

Marileide afirma enfrentar um tratamento contra o câncer de mama e que, mesmo abalada, decidiu reagir: “Eu fiquei muito abalada, porque eu já estava sendo abalada com a notícia [do câncer]. Ele se aproveitou disso...”.

O advogado que a acompanhou classificou a intimação como uma tentativa de inverter a narrativa dos fatos. “Deixar bem claro para a população de Dias d’Ávila: a justiça está sendo feita e vai ser feita. Não é pelo fato de ele ser presidente da Câmara e movimentar 1 milhão e 600 mil por mês que a gente vai se deixar abalar por isso. Ele vai ser punido tanto na esfera cível e na esfera criminal.”

Segundo o defensor, o vereador não foi ouvido no mesmo dia da vítima por conta de dispositivo previsto em lei: “A Lei Maria da Penha não autoriza que a vítima esteja no mesmo dia do agressor.” Marileide concluiu dizendo que continuará adotando as medidas judiciais cabíveis e reforçou que os ataques têm origem em conflitos familiares antigos.