A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon afirmou, durante participação no programa Arena Sudoeste, que a anulação das condenações do presidente Lula teria sido resultado de um acordo entre todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a juíza baiana, o voto do ministro Edson Fachin teria sido fruto de uma combinação entre os magistrados, que concordaram em anular a decisão de 12 anos e 11 meses por corrupção e lavagem de dinheiro no processo da Lava Jato.
“Aquilo tudo é combinado. Eu sei porque a gente combinava as coisas”, disse a ex-ministra, afirmando que a anulação da condenação da juíza substituta Gabriela Hardt caiu por terra em 8 de março de 2021, quando o ministro Fachin anulou todas as condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná.
A juíza declarou ainda que a decisão faria parte de um plano maior, encabeçado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria a intenção de transformar o STF em uma corte meramente constitucional, defensora estrita do que está previsto na Constituição Federal de 1988.
“Bolsonaro teve a ideia no momento em que disse que ia transformar o Supremo Tribunal Federal em Corte Constitucional. Acendeu a luz vermelha. Ele provocou, e aí criaram nesse momento”, afirmou.
Durante a entrevista, Eliana Calmon também disse que os ministros começaram a atuar para evitar a reeleição de Bolsonaro, mas que a esquerda não tinha outro nome viável. Segundo ela, uma enquete teria sido realizada, e o nome do presidente Lula foi o único apontado para tentar conter o bolsonarismo no país.
Eliana relatou ainda que um “conluio” teria sido traçado visando à desmoralização do Ministério Público do Paraná e do então juiz Sérgio Moro, envolvidos nas denúncias e que, segundo ela, estariam inseridos em um plano para manter o ex-presidente Lula preso até o fim da pena.
“E a partir disso veio à tona a única possibilidade que eles tinham de se salvar. Então, o bote para a salvação do Supremo chama-se Lula da Silva”, concluiu.
Veja a entrevista: