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Número de pessoas em situação de rua cresce na Bahia e já passa de 16 mil
Levantamento revela que Salvador é a 5ª capital do país com maior número de pessoas em situação de rua; maioria é negra e o número de famílias nessa condição triplicou em cinco anos.
02/11/2025 19h42 Atualizada há 8 meses atrás
Por: Luciano Bandeiras Fonte: Mais Região
Fernando Frazão/Agência Brasil

A população em situação de rua na Bahia vem crescendo de forma preocupante e já ultrapassa 16,6 mil pessoas, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estado aparece entre os seis com maiores índices do país, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

O estudo nacional, divulgado pela Agência Brasil, estima que o Brasil tenha 358.553 pessoas vivendo nas ruas até outubro de 2025. Desse total, cerca de 4,6% estão na Bahia, revelando um avanço expressivo nos últimos anos. O levantamento utilizou dados do CadÚnico, base federal que reúne informações sobre assistência social nos municípios.

Na capital baiana, a situação é ainda mais grave. Segundo dados de março deste ano, Salvador tem cerca de 10 mil pessoas em situação de rua, ocupando o 5º lugar entre as capitais brasileiras com maior número de pessoas sem moradia, conforme dados do Farol da Bahia e do Observatório da UFMG.

Para o pesquisador Rogério Giannini, coordenador do OBPopRua, o aumento nas capitais nordestinas está relacionado à combinação de crise econômica, falta de moradias populares e precarização dos serviços públicos. “O perfil da população em situação de rua é marcado por desemprego, baixos níveis de escolaridade e forte desigualdade racial”, explicou em nota.

Na Bahia, o recorte racial é evidente. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mais de 90% das pessoas em situação de rua no estado se autodeclaram negras. A desigualdade estrutural e o racismo histórico ampliam a vulnerabilidade dessa população, que enfrenta dificuldade de acesso a programas de emprego e políticas de moradia.

Outro dado alarmante é o aumento das famílias vivendo nas ruas. Informações do Correio 24h apontam que o número de famílias nessa condição mais que triplicou em cinco anos, saltando de 4.289 em 2020 para 14.705 em 2025. Crianças, adolescentes e idosos passaram a compor um cenário antes dominado por adultos desacompanhados.

O levantamento foi elaborado com base em dados do CadÚnico, plataforma que centraliza registros de assistência social nos municípios.

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