A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que 2025 está a caminho de se tornar o segundo ou o terceiro ano mais quente desde o início dos registros, mantendo a tendência de aquecimento extremo observada na última década. O boletim, divulgado nesta quinta-feira (6), aponta que as concentrações de gases do efeito estufa e o calor nos oceanos atingiram níveis sem precedentes, enquanto geleiras e calotas polares seguem em retração acelerada.
De acordo com a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, a sequência de altas temperaturas e o aumento recorde dos níveis de gases do efeito estufa tornam praticamente inevitável a ultrapassagem temporária da meta de 1,5 °C de aquecimento global, estabelecida pelo Acordo de Paris. “A ciência é igualmente clara: ainda é totalmente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5 °C até o final do século”, afirmou.
Durante a Cúpula dos Líderes em Belém, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta, destacando que cada ano acima do limite de 1,5 °C acarreta impactos severos às economias, amplia desigualdades e causa danos irreversíveis. “Devemos agir agora, com rapidez e em larga escala, para reduzir ao máximo o tempo e a intensidade desse aumento”, disse.
Entre janeiro e agosto de 2025, a temperatura média global ficou 1,42 °C acima da era pré-industrial, ligeiramente abaixo do recorde de 2024 (1,55 °C). Mesmo assim, o período entre 2015 e 2025 concentrará os 11 anos mais quentes já registrados, segundo a OMM.
As concentrações dos principais gases de efeito estufa também atingiram novos recordes. O dióxido de carbono (CO₂) chegou a 423,9 partes por milhão em 2024, o maior nível já medido, com aumento inédito de 3,5 ppm em apenas um ano.