Nos últimos 20 anos, o volume de empréstimos autorizados pela Assembleia Legislativa da Bahia saltou de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, no fim da gestão Paulo Souto, para uma cifra próxima de R$ 23 bilhões sob o governo Jerônimo Rodrigues, um crescimento da ordem de 1.500%, segundo informações de registros disponiveis no portal da transparência da ALBA e dados do Tesouro do Estado.
Esse aumento explosivo reflete uma mudança significativa na forma como o Estado tem se financiado: os governos do PT ,Jaques Wagner, (aproximadamente R$ 6,5 bilhões) Rui Costa (cerca de R$ 8 bilhões) e Jerônimo Rodrigues, (R$ 23 bilhões), lideraram as maiores operações de crédito, sejam elas externas ou internas, com justificativas que vão desde obras de infraestrutura, saneamento e a própria reestruturação da dívida.
Vamos aos fatos:
Com a chegada de Jaques Wagner (2007–2014), a estratégia mudou. O Estado encaminhou projetos de lei à ALBA para captar recursos em larga escala: em 2008, foram autorizados US$ 419 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); em 2009, R$ 375 milhões com o BNDES para infraestrutura; e, em 2012, mais US$ 700 milhões com o Banco Mundial (BIRD), para saneamento, rodovias e outros investimentos estruturais.
No mandato de Rui Costa (2015–2022), os relatórios fiscais do Estado demonstram a continuidade de operações de crédito. Embora nem todos os contratos apareçam de forma centralizada em portais públicos, balanços da SEFAZ-BA e do Tribunal de Contas da Bahia registram captações ao longo desses oito anos, compatíveis com a manutenção de uma política de investimento ambiciosa.
A análise mostra que, enquanto o volume de novos empréstimos era relativamente modesto nos mandatos de Paulo Souto, os governos do PT assumiram uma rota distinta: captaram bilhões por meio de financiamentos nacionais e internacionais. Em particular, Jaques Wagner iniciou um ciclo de grandes contratos com entidades multilaterais, Rui Costa seguiu com captações importantes ao longo de seu mandato, e Jerônimo Rodrigues elevou os pedidos a patamares recordes em apenas dois anos.
Assim, a Bahia vive um momento em que suas operações de crédito se tornaram mais frequentes e mais volumosas — e mesmo com esse crescimento, os índices de endividamento indicam que há uma tentativa clara de manter a dívida sob controle, segundo os parâmetros fiscais vigentes.
A gestão de Jerônimo Rodrigues (2023–2025) mostra os números mais elevados já vistos: até novembro de 2025, a ALBA autorizou cerca de R$ 23 bilhões em novos empréstimos. Entre os projetos aprovados estão dois de maio, totalizando R$ 4,5 bilhões, com até R$ 3 bilhões com bancos nacionais com garantia da União e R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil para mobilidade urbana e infraestrutura. Em agosto de 2025, veio autorização de outros R$ 4,5 bilhões via Banco Mundial para reestruturação de dívidas antigas com juros menores.